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O Facebook anunciou ontem ferramentas para evitar que notícias falsas se espalhem pela plataforma, o que representa uma reação às crescentes críticas de que a rede social não agiu para combater o problema durante a campanha das eleições presidenciais americanas deste ano. Por enquanto, as novidades estão disponíveis apenas para alguns usuários nos Estados Unidos.
Ao longo de todo o ano, surgiram várias controvérsias envolvendo a forma como a rede social monitora e policia o conteúdo produzido por seu 1,8 bilhão de usuários. A companhia fundada por Mark Zuckerberg ressaltou que as novas ferramentas são parte de um processo em curso para refinar e testar o modo como o Facebook lida com notícias falsas.
Segundo a empresa, os usuários acharão mais fácil indicar que uma notícia em sua timeline é falsa. Já os artigos considerados falsos pelo Poynter Institute’s International Fact Checking Network, uma instituição parceira do Facebook, receberão uma espécie de aviso indicando que aquele post é “questionado por terceiros”, e haverá um link para um texto da companhia de fact-checking explicando o motivo. Uma vez marcados como questionados, os artigos não poderão mais ser promovidos (quando as empresas pagam para que o conteúdo apareça para mais gente).
‘FACT-CHECKING’
A rede social também vai trabalhar com organizações de fact-checking como PolitiFact, Snopes e FactCheck.org, e com ABC News e Associated Press para identificar conteúdos falsos. Contudo, esses textos não serão eliminados do site: "Se algo está sendo questionado, nós vamos fazer com que você saiba. Mas você ainda poderá compartilhá-lo, porque nós acreditamos em dar voz às pessoas", afirmou Adam Mosseri, vice-presidente de Gestão de Produto do Facebook.
As mudanças foram anunciadas semanas após Zuckerberg dizer que era uma “ideia louca” acreditar que notícias falsas no Facebook teriam contribuído para mudar a opinião de eleitores americanos, levando à eleição de Donald Trump. Mas os americanos parecem discordar do fundador da rede social.
Segundo uma pesquisa divulgada ontem pelo Pew Research Center, para a maioria, a proliferação dos artigos falsos confundiu as pessoas sobre fatos básicos, e um terço deles disse ver frequentemente notícias políticas inverídicas na internet. E 71% acreditam que redes sociais e sites de busca têm sua parcela de responsabilidade para conter a disseminação de notícias falsas, de acordo com o jornal “Financial Times”.
As críticas persistiram em meio a relatos de que pessoas nos EUA e outros países têm produzido, deliberadamente, notícias falsas com conteúdo sensacionalista, que eram frequentemente mais lidas do que reportagens de grandes empresas de comunicação. Pelas regras do Facebook, um determinado post só era analisado em relação aos “padrões da comunidade” após um usuário denunciá-lo.
A empresa informou ainda que buscará cortar o incentivo financeiro para spam, tentando identificar sites que dizem oferecer conteúdo, mas têm apenas anúncios.

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