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Por Edinei Dantas

Como parte da programação de aniversário de Mainha, fomos assistir ao Filme A Cabana, após muita resistência (risos). Primeiro porque não lemos o livro, segundo, pela resistência que normalmente os evangélicos têm de assistir algo que de alguma forma fuja do seu senso comum. Exemplo verídico: quando eu disse a minha irmã que levaria nossos pais para assistir A Cabana ela se assustou e exclamou: “não mano, vamos ver outro, esse filme é espírita”.

Sei que muitos irmãos em cristo podem não concordar com minha aprovação ao filme, mainha mesmo ficou escandalizada com uma mulher divertida e que curte rock representando Deus, sempre estereotipado como um velhinho barbudo e “sério” pelo tal senso comum. Observei que outros evangélicos também criticaram alguns tópicos do filme em suas resenhas.


Mas vamos lá: o filme, baseado no best-seller A Cabana, conta a história de Markenzie, que cresceu com o trauma de ver um pai alcoólatra e violento, que agredia a ele e à sua mãe, embora evangélico e membro da Igreja Presbiteriana. Nos Estados Unidos esta denominação é bastante comum e equivalente à Igreja Católica brasileira. Nela muitos se dizem membros, até frequentam os cultos de domingo, mas normalmente não seguem sua doutrina à risca, muito menos a palavra de Deus.



Apesar da infância sofrida, ele se torna um pai apegado aos seus três filhos, mas as marcas do passado o deixaram “Frio na fé”, o que piora com o sequestro e morte de sua pequena filha durante um passeio na mata. Com um péssimo relacionamento com sua esposa e filhos após a tragédia, a vida de Markenzie começa a mudar quando a divina trindade resolve tratar suas feridas psicológicas, devolvendo sua fé e amor ao próximo.

Através de uma carta escrita por “Jesus”, ele é atraído para a cabana para onde sua filha foi levada e morta por um maníaco caçado pela polícia por assassinar crianças. O próprio Cristo o encontra na mata e o leva à outra cabana, que seria o “Paraíso Bíblico”, onde o jovem carpinteiro habita com seu Pai “Deus”, interpretado muito bem por Octavia Spencer, e com o “Espirito Santo”, a jovem asiática Sumire Matsubara. O próprio Deus explica sua forma feminina: facilitar a aceitação por parte de Markenzie, que sofre com a imagem cruel de seu pai.

A partir deste encontro sequências de clichês bíblicos, inclusive com citações fidedignas, e “Deus” vai meio que se desnudando para o protagonista. Nos diálogos o “Eu Sou” diz não ser responsável pelos sofrimentos dos homens, que estes são consequências de seus pecados, e que Ele nada pode fazer para mudar isso. Deus ama a todos e de maneira alguma pune a humanidade, porém se contradiz ao demonstrar amar em especial o próprio Markenzie e por isso deu-lhe uma nova chance. Ensina a perdoar independente do erro alheio, pois permite que o perdoador se livre daquilo que o aprisiona ao passado. E por fim, diz que alguns mistérios não conseguimos enxergar, por conta da limitação de nossa racionalidade.  

Prestes abandonar tudo, Mark é convencido pelo “Espírito Santo” a permanecer no “Paraíso” até ser totalmente curado. “Jesus” o conduz para o meio do mar num barco e lá lhe revela seus traumas e medos, chamando sua atenção para a necessidade de um conserto espiritual. Na cena, inclusive, uma clara alusão bíblia ao episódio em que Jesus anda sobre as águas e leva Pedro com ele. Mas, ao contrário do apóstolo bíblico, Mark não titubeia e em nenhum momento afunda, apesar da turbulência “psico-espiritual”.

Na sequência Mark é levado até a “Sabedoria”, interpretada pela brasileira Alice Braga, e lá se torna “Juiz”, numa tentativa de mostrá-lo o quanto é complicado para “Deus”, “que ama a todos”, condenar alguém por mais erros que este tenha cometido. Enquanto para Mark foi fácil condenar alguns como o algoz de sua filha, mas impossível condenar seus filhos queridos.


Enfim Markenzie vai para a última e mais difícil “prova”, perdoar o desgraçado que matou sua princesinha e sabe-se lá o que teria feito antes disso. Após um aperto de mente por “Deus”, agora no corpo de um senhor oriental, Mark perdoa seu inimigo, consegue ver que sua filha, que estaria feliz no “céu”, é levado onde estava o corpo dela e lhe dá um enterro “digno”, em um caixão feito por Jesus e numa cova cavada por ele e pelo “Espírito Santo”.
 
Regenerado “psico-espiritualmente”, convertido no jargão gospel, “Deus” dá a Mark a opção de ficar no paraíso com sua filha, mas ele opta por restaurar o convívio com sua esposa e filhos. Ajuda sua filha a se recuperar do trauma da culpa da morte da irmã e reconstrói seu relacionamento com sua família e com Deus.





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