Em Cima do Lance com Paulo Leandro


Um dos maiores jornalistas de Salvador, o mestre Paulo Leandro é o mais novo colaborador do Jornalisando.com. Profissional de alta estirpe responsável pelos tempos áureos do A Tarde Esporte Clube e recentemente no Correio*, também leciona em Faculdades de Jornalismo. Bem vindo Mestre...

09/09/2012 - 


Bela homenagem prestou o Vitória ao permitir o empate do time que tem como goleiro o filho de João Leite, arqueiro de Seleção e titular do Atlético Mineiro nos anos 1980.

Elton Leite é o nome do herdeiro que fez defesas seguras no empate do líder da Série B com o time do Vale do Aço mineiro por 1x1. O Nego abriu com Pedro Ken, mas Wellington Bruno deixou tudo igual.

Não teve nenhum milagre, apesar de tanta reza da família Leite, famosa pelo fervor evangélico transmitido ao futebol na fundação do Grupo Atletas de Cristo, nos anos 1980.

Sim, Elton não fez nenhuma ponte que mereça passar nos melhores momentos, mas fechou o gol quando um jogador do Vitória limpou o lance pelo lado esquerdo da área e bateu firme.

O terceiro empate seguido do Vitória mantém o time na liderança com 50 pontos, quatro a mais que o Criciúma goleado por 4x0, em Criciúma, pelo América Mineiro.

COBRANÇAS

O Vitória foi superior e teve boas chances no primeiro tempo, duas com William, que errou no arremate, e uma criada por Elton, em chute colocado e cheio de veneno que beijou o lado de dentro da trave, sacanagem.

O Ipatinga também teve sua boa hora, com Batata desperdiçando uma bola que sobrou limpa pedindo 'me chute, vá' e ele deu um pontapé sem o menor pingo de amor e carinho com a redonda, isolando.

O jogo aconteceu num estádio de gramado sem condições: a CBF poderia ser um pouco mais rigorosa na liberação de uma praça esportiva com esta qualidade para um jogo de campeonato brasileiro.

A torcida de apenas 800 e poucos dá bem uma ideia da dimensão deste time do Ipatinga, lutando para não cair, e tecnicamente muito inferior, só mesmo a homenagem ao filho de João Leite explica o empate.

Outro dado importante no contexto do jogo é a realização do confronto no sol das 4 da tarde num vale que não venta absolutamente nada e os jogadores ficam exaustos, obviamente.

Só pode ter jogo ali naquele forno de noite e olhe lá. Muito ruim ter o Ipatinga na disputa. Tem de cair porque o tamaínho dele é C. Infelizmente para o goleiro filho do grande ídolo João Leite.

Com o terceiro empate seguido, o Vitória pode começar a sentir as cobranças para conquistar um triunfo, daí toda a importância de ter segurado o placar quando fez 1x0 e não segurou.

NEUTRO

Uma bola redondinha, com adoçante, ou mascavo, e afeto, para Pedro Ken, que bateu colocado, para agradecer o passe de Gilson. Canto direito, filho de João Leite foi nela, mas não deu.

O Ipatinga chegou ao empate porque o Vitória não fez fé no chute de fora da área do jogador Wellington Bruno. O jogador responsável pela marcação recua e só cerca, permitindo o arrremate do avante do time mineiro.

O empate contra um time de baixa qualificação e de camisa de pouco peso foi ruim. O Ipatinga não se pode dizer nem que tenha uma casa porque a torcida é pequena demais e o estádio, sem alma.

O jogo foi em campo neutro. O primeiro empate da série, contra o América de Natal, resultou de um jogo equilibrado, assim como o ponto diante do Criciúma.

HOJE TEM VITORIA X FLAMENGO PELA TAÇA BH

Flamengo do Rio é o adversário do Vitória na semifinal da Taça Belo Horizonte, hoje, 15 horas. O Fla conquistou o direito de enfrentar o time baiano ao eliminar o Santos.

E olha que o Santos saiu na frente e botou vantagem de 2x0 em dois balaços de fora da área. No primeiro, Givanildo ajeitou, trouxe pro pé bom e não teve como César pegar.

O bom quíper flamenguista também não conseguiu interceptar a pedra mandada por Pedro Castro de fora da área. O cometa veio tão forte que não balançou a rede, mas a trave inteira.

A bola não balançou a rede porque alcançou a armação de ferro da trave, que fica no ângulo. A redonda bateu forte no acessório e voltou para o campo, sem tocar na rede. César, atônito, viria ser o herói do Fla conforme você vai ler mais adiante se ficar neste texto.

Pois bem, o Santos estava com 2x0 no placar e tinha tudo nos pés para manter esta vantagem. Seus ataques eram mais perigosos e tudo.

ALMA CAPTURADA

Só que Nelson Rodrigues já dizia. A bandeira do Flamengo, mesmo sozinha, içada ao vento, torna-se inexpugnável. A magia da energia da raça rubro-negra é algo tangível. Trata-se de alma, de espírito.

Não se pode acreditar no mundo paralelo sem fé, portanto, só vai entender a reação do Flamengo quem acredita em algo sobrenatural que de vez em quando dá um sopro de vida que termina tornando o Urubu o vencedor.

A reação veio com um chuteco colocado de Rodolfo, de dentro da área. A bola veio de um companheiro que não a controlou e Rodolfo tocou, rolou, colocou, cutucou, para usar um verbo de facebook, para o fundo dos cordéis, no canto esquerdo do arqueiro santista.

O Flamengo chegou ao empate com um golaço de Ígor que recebeu bem colocado a bola de um corner. Dominou, tirou um zagueiro com um pontinho e emendou forte para a rede. 2x2.

O time carioca já poderia ter vencido aí, pois abateu o moral santista. O Peixe Jr., com 2x0, não poderia jamais permitir a reação de seu adversário. Ao permitir, é como se tivesse a alma capturada, o élan sugado.

NÚMEROS FINAIS

O jogo foi para os pênaltis e aí brilhou a estrela do quíper César. Com duas defesaças, abalou os nervos santistas e o Flamengo venceu sem precisar da última cobrança do Peixe.

O Santos fez 1x0, o Fla empatou. O Santos perdeu, o Fla fez 2x1. O Santos voltou a perder, em nova defesa de César, e o Fla fez 3x1. Daí, Pedro Castro descontou para o Santos e o zagueiro Fernando deu números finais: Flamengo 4x2.

Além de Vitória x Flamengo do Rio, fazem a outra semifinal, às 17 horas de sexta, dia 31, os times do Cruzeiro de Belo Horizonte e do Grêmio de Porto Alegre.

São Paulo, curiosamente, ficou fora da semifinal, um evento raro no futebol brasileiro em campeonatos nacionais, pois o estado bandeirante sempre classifica um e até dois clubes entre os melhores.

O Vitória tenta seu segundo título, uma vez que foi o campeão de 1994. Em número de participantes e presença de grandes clubes brasileiros, a Taça BH tornou-se uma das referências nacionais em competições de categorias de base


14 de Agosto de 2012


FLU VENCE NO GRAMADO-AREAL MULTIUSO


Por Paulo Leandro

O Fluminense achou um golzinho maroto de Jean, no final do segundo tempo, e venceu o Palmeiras para alcançar a vice-liderança do Brasileiro que era do Vasco.

Fred não fez nada e foi Rafael Sóbis quem ajeitou para a conclusão de Jean no canto esquerdo do goleiro Bruno que antes fizera uma boa defesa em uma recuada louca de bola de um zagueiro.

O placar de 1x0 não espelhou o que foi a partida porque o Porco criou mais oportunidades. Barcos teve três chances e não justificou tanta badalação em torno de sua suposta qualidade de marcar belos gols.

Obina deu de calcanhar para o lateral Artur mandar um balaço na trave, ainda no primeiro tempo, depois de a bola tocar no goleiro Cavalieiri, que fez outras duas boas intervenções. O baiano de Itaparica criou mais um bom ataque antes de ser sacado.

Marcos Assunção, em sua clássica jogada de bola parada, era outra tentativa - frustrada - de Felipão Scolari, que assistiu ao jogo lá de cima, que nem faz professor Carpegiani, só que no caso do palmeirense, foi por suspensão mesmo, gancho conquistado na derrota para o Bahia.

OLIMPÍADA

Como bem disse o narrador do SporTV, os dois times disputam campeonatos diferentes, em uma aula de contexto que teria o aplauso do doutor Renatinho da Silveira.

O Fluminense briga para voltar a ser campeão enquanto o Palmeiras permanece lá embaixo, vivendo paradoxalmente a condição de campeão da Copa do Brasil e habitante da zona de rebaixamento.

O importante é que o resultado fez feliz meus amigos Paulo César Brito Gomes, Antônio José Silva Filho, Tê Barreto, e in memoriam, Zeka de Magalhães, podendo ainda ser dedicado, sempre e muito grato todo e qualquer placar favorável ao Fli ao cronista-referência Nelson Rodrigues.

O que chamou muito a atenção deste telespectador foi a cor do gramado em tons verdes e de acinzentados pra branco, sinalizando que ali há porções de areia enfeitando o capinzal rebaixado.

Provavelmente por ser um estádio olímpico, o Engenhão já se prepara para a Olimpíada tornando-se uma arena apropriada tanto para o futebol quanto para os esportes de areia, como o vôlei de praia e, quem sabe, estreando a modalidade futebol de areia, além do salto em distancia do atletismo.

ÂNIMO

Parece não ter causado problema aos atletas esta qualidade do gramado-areal do Engenhão, no entanto, vale lembrar que se precisarem do know-how ou se preferirem, do expertise da equipe de Bobô, vale a pena ver como se fez para curar o campo de Pituaço, hoje um primor de palco para a prática do futebol.
Os companheiros da Marvelous City parecem preferir uma espuma do que o labor de ter de arrumar esse negócio de campo, afinal, só de plantio, especialista em botânica e tipo de grama, entre outros itens, ia dar uma trabalheira danada.

Então, de espuma eles são mesmo ótimos e até começaram a divulgação da candidatura do nome da bola para a Copa do Mundo. Tem Bossa Nova, Gorduchinha, Carnavalesca...

Periga ter bola com nome bem interessante e não ter um gramado que preste, mas quem sabe a ideia de transformar este pasto no primeiro palco multiuso simultâneo para várias modalidades pode ser a gaiva que faltava para evitar o perigo de ter de pegar duro no batente.

Já pensou se isso acontece na Bahia? Iam logo publicar uma charge de baiano deitado em rede ou coisa parecida para ilustrar a suposta falta de ânimo para dotar o estádio do que há de mais elementar em um estádio: o campo.


O Japão que eu vi



Ver jogo de bola de homem ficou totalmente sem sentido depois da partidaça que nos ofereceram agora há pouco as seleções femininas de Japão e França, pela semifinal olímpica em Londres.

As japonesas superam o tamanhinho com um super-empenho em ocupar todos os espaços. Incrível como conseguem, com garra e muito amor à camisa azul, dar testa às francesonas muito maiores.

A vitória sorriu para o Império do Sol Nascente por mérito total. O placar de 2x1 fez justiça a quem mesclou melhor habilidade e vontade de vencer. Ohno jogou muito. Ogimi também.

A goleira Fukomoto pegou quase tudo. Teve uma bola mesmo, ou foi Necib ou Le Sommers, tou sem o replêi aqui agora, que Fuko se esticou toda e pegou com uma mãozinha só, no chão. Tinha endereço.

A sorte ajuda quem trabalha e a francesa Bussaglia teve de desperdiçar o pênalti quando o jogo estava 2x1 para o Japão. Porque assim, errando o pênalti, ela não contrariou o mérito japonês.

Bussaglia foi bancar a perfeitinha, ficou concentradona, olhando pra bola, deu a dançadinha certa, rebolou para botar Fukumoto no canto e a bola no outro. Mas a redonda, caprichosamente, passou beirando a trave esquerda.

MYAMA

Edinho, que estava comentando para a ótima transmissão do SporTV, deu a ideia certo para Bussaglia. Uma goleirinha daquele tamanho, amiga, era só bater no canto, ou mesmo à meia altura, com força, que não tinha como ela pegar. Pra que aquele charme todo?

Antes deste lance, que definiu a vitória japonesa, tivemos os gols que construíram o placar. A começar pela falha da goleira francesa Bouhaddi, que saiu catando libélula e deixou a bola pererecando, pedindo ‘me chute’, até a ponta de bota de Ogimi botar lá dentro 1x0 pro Japão.

No segundo gol, já na etapa final, brilhou o treinador frieza total Sasaki, que só se manifesta fazendo careta e nem vibra com a bola balançando a rede francesa.

Brilhou Sasaki porque obviamente aquilo é jogada exaustivamente ensaiada. Myama, com esse apelo explícito por ser querida e paparicada, encontrou a cabeça de Sakaguchi que cutucou (não é o do facebook) no canto esquerdo da caçadora de libélulas.

O professé Bruno, da França, se retou, botou Le Sommers no jogo e foi ela quem achou o segundo gol, aproveitando de primeira e à queima-roupa, um cruzamento da esquerda.

ARGOLAS
Independentemente do bom futebol, ponto positivo na partida para o cuidado da atacante Necib com a maquiagem e as unhas bem pintadas de vermelho.
Podia ter uma moda mais apropriada para demarcar o território do futebol feminino, que depois de Japão 2x1 França, vai ganhar mais fãs por causa da emoção transmitida lance após lance.
Não sei se o Grupo Femens vai concordar, mas o uniforme usado pelas mulheres é copiado dos homens sem necessidade. Bem que um corte mais charmoso no short, quem sabe em forma de saiote-envelope ou algo assim, poderia deixar o futebol feminino ainda mais belo e espetacular.
Agora, vamos ver se Canadá e Estados Unidos nos brindam com um bom futebol como fizeram as baixinhas retadas do Japão e as grandes francesas das unhas pintadas.

Ah, o Brasil ganhou um ouro aí nas argolas, mas estas não têm nada a ver com mulheres e sim com o homem Arthur Zanetti, da ginástica.
E a baiana Adriana mostrou mais uma vez que o esporte mais presente da Boa Terra é mesmo o boxe de Popó e não o futebol da sempre vacilante dupla Ba-Vi. Adriana garantiu medalha de bronze ao se classificar para a semifinal.

02 de Agosto de 2012


O Vitória que eu não curti


Gostei mais do primeiro que do segundo tempo do Vitória em São Caetano do Sul, no empate de 0x0 contra o Azulão, o mesmo azul de Ogum que ano passado cravou no peito rubro-negro a dor de não subir.

O efeito da maldita virada ainda magoa o coração de Leão pelas circunstâncias pois o Vitória poderia ficar em vantagem diante do Sport Recife de meu amigo Edmar Mello até com empate.

Agora, o Nego tá em outra pegada e já há quem antecipadamente o considere na Série A de 2013, o que representa um grandissíssimo erro filosófico, apesar de todas as tendências do mundo da matemática garantirem o sofisma.

Pra subir, tem de fazer os pontos, e lá em São Caetano, o Nego deu uma estancadinha na sua gula de vencer. Foram seis vitórias seguidas e poderia ter sido a sétima.

Fiquei achando que Marquinhos tem de treinar fundamentos de conclusão a gol pois vem desperdiçando chances e contra o Azulão jogou fora uma bola muito clara que deveria ter tido endereço.

‘MISÉRA’

Também o prof. Carpé tem de inventar algumas situações de bola parada ou inversão de posições entre atacantes ou penetração por baixo, enfim, é preciso fazer alguma coisa quando o Vitória encontra alguma dificuldade para agredir.

Meu editor no jornal esportivo do Vitória, Matheus 70, me mandou escrever sobre duplas de ataque, aproveitando o gancho dos 95 gols, melhor ataque do Brasil este ano.

Li também mais um ótimo texto de meu amigo Angelo Paz, a cobertura do jogo no Correio, e esta foi a primeira vez que o Vitória não brocou este ano.

E o mais chato é que o Vitória ficou com um jogador a mais com a expulsão do 4 deles no segundo tempo. O melhor de tudo foi ter visto o segundo tempo ao lado de Edinei Dantas e Lorena dos Santos, ilustres e queridas visitas do meu Barradão particular onde me escondo.

Eu e Dantas, depois de passarmos alguma raiva pelo desperdício de chances, ainda tivemos de nos humilhar, comemorando a ‘miséra’ do pontinho depois do último lance do São Caetano.

FOCO

A bola foi no travessão e, na volta, o infeliz do lateral azul ainda tocou de cabeça pra fora. O Senhor do Bonfim tem ajudado muito. Não tirando o mérito do Vitória, mas nos últimos três jogos, os adversários têm perdido cada gol inacreditável, debardatrave!

Foram dois assim, ambos por Marcelo, no Atlético Paranaense; o 5 do CRB, também, foi inacreditável, e esse ontem. Que continue assim, nossa Sentinela Avançada, és a Guarda Imortal do Vitória!

Enquanto isso, o Criciúma segue brocando, firme na liderança e fez mais uma vítima, lá dentro da cidade do Carvão: o Guarani tomou seu 2x1.

Ansiosos por livrar-se do estigma de vice, reforçado pelo comportamento massivo-mediático, há torcedores doidos pra ver o Vitória ultrapassar o Criciúma.

Este foco na liderança demonstra a váibe positiva e a convicção no acesso, mas pode também desviar o Vitória de seu principal objetivo, que é subir, não importa em qual das quatro primeiras posições.


23 de Julho de 2012



A raposa e o urubu


Nascido e criado aqui no Cabula, subindo o Saboeiro direto, o menino Borges brilhou na vitória do Cruzeiro sobre o Flamengo, apertadinha e injusta. O placar moral teria sido o inverso: Flamengo 2x1 no mínimo.

Ocorre que o bom lateral Ceará achou um cruzamento e meteu na área. Borges, que estava morto o jogo todo, apareceu como um foguete e se atirou na bola: de cabeça, fuzilou o arqueiro rubro-negro.

Fez o que Love não conseguiu, em um cruzamento milimetrado de Adryan logo nos primeiros minutos. O homem do megahair rubro-negro até que encostou a cabeça na bola, tirou do goleirão Fábio no contrapé, mas a redonda foi pela linha e fundo, suave e meiga.

O Cruzeiro respondeu bem a este lance com um chutaço de fora da área de William Magrão, que tinha endereço no cantinho direito, mas o arqueiro Paulo Vitor deu uma de gato Félix e salvou.

OBINA

Enquanto rolava Cruzeiro x Flamengo, outra boa notícia para os baianos foi a feliz estreia de Obina, cuja família ainda hoje cata mariscos na Ilha de Itaparica.

Revelado no Vitória, Obina fez gol anulado, fez gol legal, deu passe para um gol e ainda meteu uma na trave, que no rebote foi aproveitada por um companheiro lá-dele.

O Porco, que recebe a visita do Bahia, quinta-feira, dia 26, faturou o Náutico por 3x0, com esta estupenda exibição do menino da Ilha.

BARRIGONA

Voltando pro jogão entre Fla e Cruzeiro, teve uma falta que Renato bateu forte, Fábio enjoou, mas se recuperou saltando sobre ela, antes de Love.
A ideia de Joel Santana, no Fla, era clara: roubar a bola, como bons flamenguistas, e sair em alta velocidade para o ataque.

Foi assim que o Fla criou mais que o Cruzeiro, e foi também assim que Love desperdiçou mais uma chance. Love vai desempregar Joel. E também tá se queimando porque já não faz gol há cinco jogos.

Teve outra chance que Love pegou de frente pro gol na diagonal e poderia ter rolado para Adryan brocar, no entanto, preferiu bater e o paredão cruzeirense evitou.

Joel Santana, com sua pranchetinha menor e mais confortável, ficava possesso, dando pulos com sua barrigona, enquanto via o Fla jogar fora a chance de vencer.

A IRA

Luis Antônio, que fazia bem o papel de ladrão no meio-campo, para acionar os atacantes, também perdeu uma boa chance em rebote da defesa cruzeirense.
Depois que Borges abriu o placar, mergulhando na bola como um tucunaré dos Marimbus, o Fla continuou criando mais que a Raposa. Ibson, chutando forte e rasteiro, também testou e aprovou a qualidade de Fábio, que espalmou.
Foi aí que Joel despertou a ira da torcida do Flamengo, ao tirar o xodozinho Adryan pra botar Hernane. Mas, quase, quase, acerta por linhas tortas.
Teve uma blitz, um bate-rebate na área cruzeirense e Hernane botou no travessão, de cabeça. Na volta da bola ainda se virou a tempo de mandar no canto, só que ali estava o raposa do Marcelo pra salvar.

NENÉM

Cruzeiro x Flamengo teve até reflexão existencialista. Outro dia a gente curtia Bebeto marcar o gol embala-neném na Copa de 1994 e não é que aquele neném que o baiano revelado no Vitória embalava há 18 anos no túnelo do tempo, entrou ontem em campo, com a camisa do Flamengo?

Pois é, amigos, a idade vai chegando: Mattheus, filho de Bebeto, sofreu uma falta que ele mesmo bateu, mal, na barreira. Ele substituiu Renato Abreu.
Moral da história: a raposa ganhou porque é mesmo muito tinhosa e matreira e o urubu perdeu porque voa demais e bica de menos.



23 de Julho de 2012



Zidorf: espuma midiática



Que espuma danada nós, seres midiáticos, costumamos fazer quando queremos promover algo para construir audiência! Esta contratação de Seedorf, que vamos aqui chamar Zidorf, mesmo, que coisa!

O homem fez três coisas na vitória do Grêmio, por 1x0, sobre seu Botafogo: bateu uma falta com veneno, chutou a gol meio previsível e construiu um bom cruzamento para Elkeson cabecear no lixo.

Mas, se a gente repetir estes três lances umas 10 vezes, cada, quantos lances de perigo de Zidorf teremos? 30. Um monstro. Um craque. Um holandês nascido no Suriname fantástico. Ou fantárdico.

Não sei se já estava com um pouco de sono, e já também muito cismado com estas espumas midiáticas, mas me parece que este oba-oba com Zidorf é mais uma carioquice típica.

Os amigos sabem fazer uma espuma como ninguém entre os estados da federação. Deixe o Volta Redonda ganhar duas seguidas pra ver se já não vira Voltaço!

GROSSO

Quem foi ver Zidorf, se abstrair da cantilena midiática, vai concordar que um bom nome do jogo foi Leandro, do Grêmio, que driblou dois e bateu a gol para a boa defesa de Jeferson.

Elano também jogou melhor que Zidorf. Foi um golaço que o Grêmio marcou. Dir-se-ia um gol de salãozinho relax à beira da praia do Porto da Barra.
Elano levantou, Zé Roberto tocou e Marcelo Moreno, revelação do Vitória na Série C de 2006, emendou para as redes, sem dó nem piedade, considerando-se aqui se há alguma diferença entre dó e piedade.

Zidorf saiu aplaudido, é claro, que o bombardeio midiático de símbolos associado ao amor incondicional da torcida por seu clube torna-se uma irresistível combinação.

Mas vamos combinar que depois de sua saída o Bota até melhorou e se não é Leo Gago salvando em cima da linha, o time caríííouka até que tinha falado grosso.

CERTEZA

Enquanto rolava a estreia de Zidorf, a emissora passava os informes de outros jogos. O Bahia fez logo 1x0 com Souza e marcou também o segundo gol diante do Coritiba.

Quando tudo parecia sacramentado e a reabilitação tricolor o livraria do cadafalso da zona, eis que um breve cochilo foi estratégico para não se ter a informação desagradável da reação paranaense.

Eis, aqui, a aula de filosofia durante um simples jogo transmitido pela tevê. O fato de não tomarmos conhecimento de uma verdade a torna menos verdade?

Não saber que o Coritiba foi lá, empatou, e quase vira, alivia as dores do torcedor, mas ao não saber, quer dizer que nada disso aconteceu?
Pois este episódio demonstrou que há uma verdade exterior ao indivíduo, e que é preciso buscar esta verdade, compartilhar esta verdade, para que a produção da certeza se conclua: 2x2.



22 de Julho de 2012

O Vitória que eu Curti

Vamos valorizar a vitória no Paraná porque o Atlético nunca tinha perdido umazinha sequer em casa, jogando pela Série B. É o mesmo Atlético que impôs uma goleada humilhante de 5 no coirmão pela Copa do Brasil ano passado. O futebol baiano, portanto, foi vingado pelo Nego.

Gustavo alegou que sentiu o tornozelo por ter pisado em falso, parece, na hora de ir buscar uma bola que saiu pela linha de fundo. Demorou como quê pra ser substituído, toda hora parava o jogo.

Teve quem visse nessa cena uma estratégia para manter em banho maria o time da casa. O certo é que o goleiro reserva Caio Cecco entrou e foi bem nos chutes de fora da área que ele encaixou e nas bolas aéreas.

Mas cometeu dois erros. Um, de tempo de bola, que ele corrigiu na sequência, em um lance rasteiro na área que o atacante do Atlético tava esperto. No outro, mais grave, ele enjoou uma bola nos pés de nosso Marcelão, que conseguiu errar o alvo.

Esse estadinho que botaram o Vitória para jogar não sei se tinha condição. Meu amigo Virgílio Elisio, se tomar conhecimento deste texto, poderia confirmar se na próxima partida poderia melhorar as condições do campo ou do local onde Gustavo afirma ter se lesionado.

Gigante do Itiberê, em Paranaguá, Paraná, quar! Gigante é muito boa vontade. Tinha gente vendo o jogo em telhado, lembrou aquele estádio de Madre Deus. Se é aqui na Bahia isso, iam fazer chacota.

LAMPEJO

Nosso lateral Nino teve companheiro da lista secreta Resenha Rubro-negra que gostou. Meu amigo Claudio Colavolpe curtiu os três monstros, como ele disse, Dankler, Ueliton e Victor Ramos.

Gostei da formação com três zagueiros – Dankler, Gabriel e Victor -, e ainda protegidos por Ueliton e Michel. Gostei porque como a filosofia do Vitória é ganhar ou perder, fica muito aberto e aparentemente ofensivo. Então, uma cozinha mais forte é sempre bom.

Evita também o mano a mano. A sobrecarga nos zagueiros é grande e as falhas aparecem, claro. Assim, com três homens para carregar a geladeira na mudança, é melhor.

Pedro Ken jogou muito mais uma vez, cadenciando e distribuindo, aparecendo lá na frente e sendo muito produtivo para o time. Marquinhos, teve gente que não curtiu e nem viu entrar em campo.

Peço paciência e tolerância aos companheiros críticos de Marquinhos, porque ele é magrinho e parece jogador de lampejo, assim, pode decidir o jogo em um ou dois lances.

Teve uma bela jogada dele, por cobertura, que quase entra. E outra, que ele deu um nó por debardassaia do lateral, mas concluiu fraco.

SENHOR DO BONFIM

Destaque para o menino Leilson em outro golaço, parecido com o que ele fez outro dia. Recebeu, e no que recebeu, matou no peito, e no que matou no peito, já adiantou a bola e trouxe pro pé bom.

Colou a redonda com araudite, protegeu da marcação de dois atleticanos, trouxe para a linha de fundo e, sem ângulo, tocou na saída do goleiro. A bola ainda bateu na trave e entrou.

Isso foi gol de sinuca! Só tinha esse jeito de botar esta bola na caçapa. Esse menino é craque de bola.

Agora, o ex-torcedor tricolor Marcelo Nicácio não jogou o suficiente para fazer esquecer Neto Baiano, que podia ser meio cabeçudo mas marcava gols, tanto que é o artilheiro do Brasil.

Wile é bom! Entrou e meteu uma no travessão. Mas não se deve deixar de escalar o Senhor do Bonfim na ficha técnica do Vitória. Os dois gols que o Marcelo deles, que foi do Vitória, perdeu, foram inacreditáveis futebol clube.

22 de Julho de 2012

O CRB que eu Vi

O CRB, que vem jogar com o Vitória sábado, saiu de um placar de 3x0 a favor do Joinville e virou para 4x3 em menos de meia hora no segundo tempo.

O goleiro do CRB, Cristiano, não apareceu muito nem teve culpa nos três gols sofridos. Fez uma ótima defesa por baixo, em bola rasteira no cantinho, mandada de fora da área.

Os gols do Joinville foram todos parecendo de golzinho fechado de baba de praia. O time catarinense chegava fácil, por baixo, tabelando na área alagoana.

Os dois laterais do CRB são fracos na marcação e fáceis de serem envolvidos. Pelo meio da zaga também a avenida alagoana é tranquila de ser pavimentada. A defesa é muito leve.

Vejo que o Vitória tem boas chances de penetrar, tocando a bola, e aproveitando as brechas, pois eles marcam homem a homem e sem cobertura. Uma boa inversão de lado, Marquinhos-Pedro Ken-Leilson, e já foi a zaga do CRB, sábado, 4 horas no Barradão.

O meio-campo também não protege certo a defesa e tampouco liga bem o ataque. O meia Geovani é ótimo em bola parada, mas muito fácil de marcar. (será que é mal dos geovanis isso?)

CHULAPA

As duas faltas que ele transformou em gol foram cobradas da mesma forma e vale a pena Douglas dar uma olhadinha no repeteco. Perna esquerda e lado direito do arqueiro, chute colocado.

Quem bate com a canhota, o mais esperado e comum, é que mande a bola no canto esquerdo, só que esse 10 do CRB manda no direito mesmo. O goleiro Ivan, do Joinville, tomou os dois gols do mesmo jeito.

Geovani também é o homem dos escanteios que ele bate fechado e com veneno, bola rodando, no primeiro pau, tanto vinda da esquerda como da direita. Aos homens da defesa, vale prestar atenção na marcação nesta bola parada. Vê se sai de soco certo, seu Douglas, quando necessário.

Também é bom alguém do ataque acompanhar o zagueiro Rogério quando ele subir para cabecear na área do Vitória.

O meia Ricardinho é muito pesadinho. Se o CRB entrar com Aloísio Chulapa fica mais perigoso na frente, só que ele parece não aguentar dois tempos, não sei se por efeito da recuperação de uma cirurgia.

Aloísio Chulapa dá o corpo pro zagueiro e sabe cavar faltas para Geovani bater ali na entradinha da área. Sugiro aos rubro-negros evitar este risco. Aloísio também lança direitinho como no passe que deu para Elsinho, no gol de desempate.

Se o CRB entrar com o outro atacante, Tiago, para poupar Aloísio, vale a pena evitar que ele fique sozinho. Tiago apareceu em duas boas oportunidades, sem marcação, felizmente para o Joinville conseguiu desperdiçar as duas.

ELSINHO

Outro perigo, me parece o maior perigo, é o ponta Elsinho, muito arisco, que fecha pelo meio, é veloz, e brinca até de inverter de lado, saindo da direita para a esquerda.

Fez um gol chutando cruzado e rasteiro no canto e foi ativo no gol do desempate, repetindo a dose, o goleiro enjoou para o meio da pequena área e Geovani, sem marcação, cutucou.

Elsinho também é a chance de o CRB prender o Vitória mais atrás porque o time alagoano não vai resistir ao Nego se ficar esperando muito o tempo todo na defesa. Portanto, atenção, lado esquerdo da defesa do Vitória.

A postura do CRB será bem outra em Salvador pois não ficará tão vulnerável ao contra-ataque até sofrer o primeiro gol. Quando a porteira abrir, aí sim, os buracos ficarão maiores e a fragilidade individual dos visitantes será mais evidente.

Observem que a vitória sobre o Joinville teve três aspectos muito positivos para o CRB: 1. virou de 3x0 para 4x3, um resultado que enche qualquer time de ânimo para tentar reverter placar se sair atrás do marcador em Salvador; 2. venceu o mesmo time para o qual perdera duas partidas na decisão da Série C do ano passado; 3. O Joinville só tinha sofrido nove gols em 11 jogos e levou quatro do CRB em apenas um jogo.

O CRB, portanto, virá a Salvador em alto astral e com a alma bem lavada de escovão e tudo. Cabe ao Nego colocar o time alagoano em seu devido lugar de visitante comportado.



29 de Junho de 2012



Ave, Baloteli, o afroCesar da nova Azzurra

Por Paulo Leandro

Democracia quantitativa pode ser mesmo muito perigosa e até injusta pois não necessariamente a maioria está com a verdade. Na Eurocopa do facebook mesmo, a Alemanha era franca favorita diante da Itália numa proporção de cinco ou seis para um e perdeu.

José de Jesus Barreto, João Paulo Costa, Florisvaldo Matos, Adriano Villela e Moisés Cardoso declararam-se alemães. Hagamenon Brito desta vez não se manifestou talvez porque nem precise dizer o quanto se deixa encarnar pelo gênio de Podolski.

No entanto, quem foi ver a visão de jogo da Ozil, espantou-se com a capacidade de ordenar o jogo de Pirlo. E quem fazia fé em Mário Gomes, teve mesmo foi de exclamar Baloteli!, o nome do clássico que absurdamente chamei de anticlássico no dia anterior.

No rádio, seria queimar a língua, em internet seria deletar os arquivos, ou queimar o HD, talvez a placa-mãe nos casos mais extremos. Estabeleci esta alcunha com base no histórico de títulos mundiais conquistados em relação aos contextos de cada época, política e futebolística.

O perdão, no entanto, existe para se dizer. Pelo futebol que a Itália jogou ontem, está no caminho de se redimir e tornar-se, dignamente, uma campeã da Europa. É uma nova Azzurra, capaz de entusiasmar mesmo quem foi ver a vitória da Alemanha e acabou curtindo Baloteli.

PRECISÃO
Meu caro bamba, prof. Mahomed, postou logo após a partida, alguns conteúdos repercutindo o sucesso de Baloteli, um tipo difícil fora de campo, talvez por suas peculiaridades culturais nem sempre decodificadas por outras culturas dentro da seleção.

Uma seleção que mostrou, desde o inicio, um antigo amor à pátria que não duvido ter mexido com a Itália ancestral, ainda na Roma dos césares e das legiões. Dir-se-ia cada jogador da Azzurra um legionário com a novidade de ter trocado a velha armadura pesada por uma mais leve.

A Itália fechada atrás, com capitão Bufon pegando tudo e organizando o baba. Uma Itália multicor, azul da Casa Oficial, verde-branco-vermelha da bandeira nacional, e agora, também, por que não registrar, preta, preta, pretinha da afrodescendência do hulk Baloteli.

No primeiro gol louve-se Cassano, o heroi que poderia, sem exagero, ser citado por Homero na Ilíada. O cara que já sofreu um AVC limpou o lance com uma categoria que dir-se-ia um brasileiro ou argentino. Passou pelos marcadores alemães fazendo cafuné na bola.

O cruzamento, alguém na sala falou, acho que Juscelino, veio com a bola rodando, já no tempero, sazón, arisco, sal grosso, a pimentinha... além do veneninho pronto, por causa do efeito da trivela: a bola de Cassano, amigos leitores, foi um primor de precisão.

TREMENDO
Era só cumprimentar Neur. E Baloteli assim o fez. Era o gol da Itália em um momento do jogo que a Alemanha tinha mais posse de bola e já esboçava algumas escapadas para superar a timidez de não chutar a gol.

Neste primeiro gol de cabeça, ele preferiu calar-se e sequer vibrou direito. Parecia querer mostrar que sabia algo a alguém. Parecia querer aproveitar o momento de sucesso para dizer que é possível, sim, ser o titular da seleção do país que um dia invadiu um país negro.

Quem curte Edson Gomes, lembra daquele hit que o regueman baiano canta sobre a Etiópia: “quando Mussolini invadiu a Etiópia, foi um rolo compressor, esmagador...” O futebol supera, assim, através da seleção, o efeito de um rastro histórico lamentável, mais um, na segunda guerra.

Mas que tem a ver Mussolini com Baloteli? Nada não. O fato é que, hoje, se pode temer, sim a seleção dos legionários porque ela tornou-se mais leve, mais rápida e porque ela tem um cruel matador, que sabe ajeitar a menina e mandar um cometa, como o segundo gol.

Quantos quilômetros por hora viajou a bola de Baloteli até se aninhar no fundo dos cordéis de Neuer e dar aquele efeito bonito da rede toda se tremendo, como num frêmito de prazer, ao ser balançada com aquela intensidade e amor à pátria italiana.

CICIOLINA
Antes de a bola rolar, percebeu-se, os mais observadores, que havia algo diferente na vibração dos italianos, no momento da execução do hino. Ali, não eram só jogadores, repito, mas o espírito das melhores legiões de Roma e sua absoluta dedicação ao sucesso do grande império.

A Alemanha, por sua vez, jogava na Polônia, por ali mesmo onde decidiu-se invadir para dar início à segunda guerra. Nem parecia, claro, pois está tudo superado, embora jamais possa ser esquecido, como uma cicatriz que não se permite apagar a marca.

Ah! Esqueci de me dar aquela valorizadinha. Só o Besta estava fechado com a Itália, mais por uma aversão injustificável a Alemanha, uma vez que o futebol germânico melhorou muito nos últimos anos, como acertadamente defenderam Hagamenon e João Paulo.

E, agora, sem dúvida, sou Itália, novo paradigma, seleção temperada, que deixou de ser só aquela retranca, herdeira do catenacio, para sair em contra-ataques esporádicos. Agora, a Azzurra tem uma nova cara, a cara de um hulk que destoa do grupo e ao mesmo tempo o complementa.

O futebol tem uma nova oportunidade. Ao tico-tico espanhol, cuja obrigação primeira é defender-se e garantir a posse da bola, para só então atacar, vamos oferecer a resistência da passionalidade, da vibração excessiva, da forza Itália.

Será domingo a grande final e Baloteli vai jogar. O horário é 3 e tanto, confirme a fração certinha com uma fonte mais confiável pra marcar hora e não deixe que nada o impeça de ver este grande jogo. A transmissão da Band, com os polêmicos assumidos Neto e/ou Edmundo é melhor que a da Globo com o corretíssimo Júnior.

Vamos conferir se os legionários vão conquistar Madri e expandir seu império, ou se os espanhóis marcharão sobre Roma e levarão consigo as melhores italianas, e aqui vai uma menção honrosa que sempre quis fazer a Ciciolina.



28 de Junho de 2012



ROMARITO: SALVE O CORINTHIANS


A jornada esportiva de ontem teve um final feliz graças ao atacante Romarinho, que honrou a matriz, ao entrar no finalzinho do jogo contra o Boca e marcar o gol de empate lá em Bons Ares.

Tomando emprestado o que meu amigo Carmel escreveu no facebook, o Corinthians é Boca! O time paulista não merecia mesmo perder pois procurou respeitar mais a bola que o adversário da Argentina.

Mostrou mais controle dos nervos, tanto que pelo menos três bolas perigosas na área do Corinthians terminaram em falta contra o Boca por empurrão dos jogadores bosteros. Os rabos de cavalo da caixa de bombons estavam dispostos mais a catimbar que jogar bola.

Isso é sinal que eles sabiam da inferioridade diante do Corinthians, além, é claro, do hábito ancestral de procurar uma nojeira para sacanear os brasileiros. Como a fórmula dá mais certo que errado, para eles, vale a pena insistir. Mas havia um Romarito no meio do caminho.

Ah, que bom que Tite mandou ele entrar em campo! O gordo do Riquelme, que já não guentava nem andar, perdeu uma bola, ela foi parar no pé de Sheik, que rolou mansamente para a penetração de Romarito.

CRÉDITO
O menino viu a saída do goleirão Orion e tocou por cobertura, com malícia, arte e poesia, foi só jeito, não precisou força, e a bola foi se aninhar, amorosamente, no fundo dos cordéis dos donos da casa.

Ufa! Pra quem penou de tarde vendo uma porcaria de jogo das meias finais da Eurocopa que não deu nem pra tirar os melhores momentos, Romarito representou a reabilitação, aquela sensação de ‘enfim, o belo futebol não morreu’.

Respeito a posição do meu amigo José de Jesus Barreto, que dá valor à Espanha e vê monstros criativos em seu meio-campo, é capaz de ele ter razão, acredito e sempre acreditei sempre no que disse e diz, mas tenho cá meus preconceitos com time que joga pra não levar gols.

Prefiro o torinha, todo aberto, fazendo três e levando quatro do Goiás, mas aí também já é um pouco de exagero do prof. Carpé e como se trata de uma competição completamente diferente, segunda divisão, é melhor deixar pra lá.

Hoje tem a Alemanha e o crédito vai para meus amigos João Paulo Costa, Hagamenon Brito e professor Florisvaldo Mattos, que podem ter razão ao tornarem-se fiadores do atual futebol germânico.

RETRANCA
Segundo esses bons amigos, os alemães têm mudado de perfil e respeitado mais a bola. Posso ter parado no tempo, impactado pelos resultados das pesquisas e perdido a noção da contemporaneidade.

Para meu lado ranzinza, Alemanha e Itália fazem o anticlássico da história do futebol mundial e vou explicar minhas razões. As duas são as maiores responsáveis por vivermos hoje do pragmatismo que nos faz admirar uma seleção que joga pra não tomar gol e ser campeã.

A Alemanha provou ao mundo que esta história de arte não dá certo. Venceu a Hungria de Puskas, Maravilha Magiar, em 1954; venceu a Holanda de Cróife, o Carrossel, em 1974; e venceu a Argentina de Maradona, em 1990. É o anticristo, o antiheroi da bola.

A Itália foi bi 34/38 como propaganda do fascismo em ascensão. Foi tri 82 ao cometer o crime de eliminar a última Seleção Brasileira digna de assim ser chamada. E ganhou o tetra em um pênalti cobrado por Grosso e isso já diz tudo o que foi uma seleção meeira daquela.

Antes, foram os italianos que inventaram a retranca, chamada catenaccio. A Espanha é o filhote bem sucedido destas vitórias do futebol de resultado sobre o futebol-futebol, o jogar por jogar, sem que os fins justifiquem os meios.



27 de Junho de 2012

Bora ‘Purtugal´!


Hoje tem muito ‘futibó’ (valeu, Marcelão) e quem quiser fazer suas trilhas, precisa se ligar no Technos, o mais pontual do mundo, e lembrar de voltar pra cidade até 3 e meia a fim de ver a entrada em campo das seleções de Espanha e Portugal.

Tou colado com os patrícios porque tem uma seleção mais leve e um karma também menos pesado porque já pagou com muito atraso econômico a era das caravelas em que saiu saqueando as nações do novo mundo.

Já a Espanha, muito tirada, e beneficiada por arbitragem (vamos curtir Neto na Band), não goza da simpatia deste guia em ascensão. Muito tico-tico, fria como quê, na hora de brocar, dá o bote e asfixia o adversário.

Dir-se-ia uma sucuri malvada que não considera o inimigo e joga geladamente, com seu sangue frio, pronta para abraçar a presa, a seleção de ‘Purtugal’, que precisa estar muito atenta aos matadores de incas.

O que eu gostei mais de Portugal, no jogo contra a tcheca, foi jogar pelos lados do campo quando percebeu que a seleção adversária armou uma muralha medieval, daquelas de filme de Ivanhoé, na frente de sua defesa.

Isso mesmo! A melhor forma de vencer um esquema ultra-hiper-plus defensivo é comer de ladinho e isso Portugal fez com grande maestria. Chegou até a botar bolas na trave e tudo.

JEJUM
Outra partida muito interessante de hoje é a primeira final da Libertadores, uma decisão bem povão, os bosteros do Boca contra os loucos do Curinthia. O que tem de torcedor do Curinthia na Chapada Diamantina é brincadeira.

A começar pelo agente de limpeza que gentil e competentemente deixa a rua parecendo um brinco de tão limpinha. Nada como trabalhar com vergonha na cara e boa vontade.
Sou Boca porque prefiro a Argentina a São Paulo. Sei lá, curto o tal de élan, uma espécie de orgulho positivo que os arrentinos ou as argentinhas como dizia o pessoal do Casseta, transmitem em seus gestos, pensamentos e atitudes.

Che não era argentino? Então... e tantos outros caras importantes para a América e sua libertação. Então, se é para fazer sentido, que seja o Boca, então, mais uma vez campeão.
Agora, quando se aplica o critério distribuição, o Curinthia, por sua grandeza, e pelo amor de sua torcida, merece quebrar esse jejum e se igualar aos outros gigantes paulistas, São Paulo, Palmeiras e Santos.

NOJENTO
Dos quatro, somente o tal de Timão está devendo esta conquista a seus torcedores. E não vai ser fácil enfrentar o Boca lá na caixa de bombons de Buenos Aires.
Tou lendo aqui no Uol que os corinthianos tiveram até de treinar no escuro porque os anfitriões não fizeram a gentileza de deixar ligados os refletores. Eles jogam sujo mesmo, tanto que são bosteros, nada de papel higiênico.

Houve uma fase, e o amigo João Paulo Costa há de confirmar, que um certo zagueiro do mundo dos jornalistas curtia frequentar os babas vestindo uma camisa alviceleste bem antígona da seleção argentina.

Era um zagueiro destemido, porém violento e desleal. Sabia sair jogando e seu passe era milimetrado, mas curtia muito jogar a bola no matagal quando seu time estava ganhando e era mais jogo manter o placar como estava.

É esse o clima que o Curinthia de meu vizinho Fabinho vai enfrentar lá em Bons Ares. Um time de boa técnica, mas bem preparado para a catimba. Pra ser bom de bola, precisa ser nojento?



25 de Junho de 2012



Vitória 3x4 Goiás: verdade mesmo?

Tou vendo aqui o primo Dalmo todo feliz, desestressado, postando umas curtições porque o torinha levou uma virada incrível em Goiânia. Meu filhão até me mandou um SMS dizendo que o jogo tava 3x0 pro vitória e depois mandou um dizendo que o Goiás virou.

Parece incrível e a lei das três fontes manda confirmar com mais uma se um absurdo desse é verdade. Não vou nem ver os gols no youtube. Pra quê? Já sei que a defesa bragueira abriu a porteira e o professor não deve ter fechado a tranca como deveria.

Depois de dois dias de turismo intenso, guiando um maravilhoso grupo de amigos mineiros pelas trilhas da Chapada, um time que toma uma virada dessa não merece muita consideração. Sei que todos temos devoção pelo desporto, mas isso assim também já é demais.

Não é a primeira vez não. O Vitória tomou uma virada dessa, e também para um time verde, é capaz de ter sido o próprio Goiás, lá pelos idos de 2005 mais ou menos, quando ainda estava no comando de A Tarde Esporte Clube (ATEC), bravo tabloide encartado no centenário da Tancredo Neves.

Inaceitável tomar uma virada dessa outra vez. É preciso tirar quem não tem competência e tentar refazer o rumo enquanto é tempo. Ou achar que é natural tomar uma virada dessa, parecendo os babas antigos do Largo do Ouro, ali na Liberdade.

ESPELHO
Já o meu editor Edinei Dantas publicou no jornalisando que foi bom o pontinho beliscado pelo Bahia lá em Santa Catarina, diante do Figueirense. Concordo sim porque resultado fora de casa, quando não dá pra vencer, vale voltar com um pontinho.

Embora, vamos sublinhar, a média de um ponto por jogo é insuficiente para se animar. Porque neste ritmo, chegaremos à última rodada com 38 e esta pontuação não é compatível com o sonho de evitar o rebaixamento, meta muito mesquinha para um clube tão poderoso e bicampeão brasileiro.

O fato é que o Bahia, como todo clube da sua região, não tem orçamento que rivalize com grande parte das agremiações da Série A. Portanto, é uma façanha encarar esta competição de peito aberto. Daí, a dificuldade para o tricolor se alinhar aos maiores, ali no TOP 10, a primeira dobra da classificação.

Com o passar das rodadas, a tendência é o Bahia se contentar em conquistar outra vaga de Sul-americana e a comemoração será como um grande título, gerando manchetes e quem sabe um desfile em carro aberto dos bombeiros, saindo do aeroporto até a Praça da Sé.

Sabe como a torcida de ouro é entusiasmada, né? Entrando um pouco por uma disciplina que voltarei a lecionar em agosto, teorias do jornalismo, podemos tentar refletir como a teoria do espelho ainda impregna as cabecinhas jornalísticas.

GUIA
Um mesmo contexto, uma mesma situação, uma só possibilidade: o Vitória na Sul-Americana; o Bahia na Sul-Americana. E analisem o tratamento dedicado por veículos de comunicação às duas conquistas. O Vitória, meio de texto, rodapé, minimizando. O Bahia, manchete, capa, destaque, valorizando.

A teoria do espelho vem em nosso amparo e dá a entender que o jornalista reflete no conteúdo que produz a realidade hábil e magicamente extraída do mundo. Nossas mentes, prodigiosas e rápidas, jogam duríssimo e transmitem o real, tal e qual acontece. Este é o espelho.

O espelho inclui, organicamente, as ideias de objetividade, neutralidade e imparcialidade, pois só assim, transformado em objeto de reflexão, o jornalista conseguiria agir como um espelho do mundo. Deve ser por isso que o Bahia na Sul-Americana dá manchete, e o Vitória, rodapé.

Os jornalistas esportivos, provavelmente, percebem na vibração da torcida tricolor e nos números das vendas de impressos, motivos mais que suficientes para dar um tratamento diferenciado. Uma nova classificação à Sul-americana talvez mereça um pôster.

O melhor mesmo, de tudo isso, é estrear como guia turístico e levar meus amigos mineiros por aí. Serrano, Cachoeirinha, Alto da Cachoeirinha, Praínha, Primavera, Salão de Areias, Poço Halley, Lapa Doce, Pratinha, Gruta Azul, Morro do Pai Inácio. Ser guia é muito melhor que labutar com jornalismo.



22 de Junho de 2012

PROFECIA DO MESTRE (Título modificado pelo editor rsrsrs)


Os deuses do futebol (é capaz de existirem mesmo) foram justos ontem com a seleção portuguesa e permitiram aos gajos a marcação do gol da vitória, numa cabeçada certeira de Cristiano Ronaldo que fulminou Peter Cech.

Portugal honrou a origem dionisíaca do velho foot-ball ainda do tempo do harpastum romando ou do ekispiros grego. Foi pra cima, verticalizou, buscou o gol.

Mostrou qualidade ao tentar subir pelas beiradas do campo, a forma mais inteligente e por que não acrescentar, sensível, de vencer uma seleção muito disciplinada taticamente e pouquíssimo criativa, como a da República Tcheca.

Infelizmente, para os amigos tricolores, a Euro começou com um monte de bandeirinha do Bahia, mas agora só tem mesmo França e Inglaterra. Hoje, a preta-vermelha-amarela Alemanha vai passar pela Grécia dos filósofos. (OLHE A PROFECIA AÍ)

Torço pelos oprimidos e excluídos, e a Grécia bem os representa, ainda mais que é a terra de meus ídolos Sócrates, Platão, Aristóteles e toda aquela rapaziada de túnica e sandalião tipo percata que nos deu régua e compasso.

BOTÕES
Soube, por uma postagem de meu amigo Antonio Pastori no feed de notícias do fêice, que o Palmeiras está na final da Copa do Brasil e teremos, assim, uma eco-decisão, com dois representantes da cor das matas.

Oxossi abençoa. O Palmeiras passou pelo Grêmio. Por natureza, ou pela construção do perfil que associamos com a ideia de natureza, o Palmeiras sempre respeitou mais a bola que o Grêmio.

O Grêmio é a bravura, a superação, o foco no resultado, a chance de vencer, mesmo se o time não estiver bem ou não tocar bem a bola. Enfim, historicamente, ganhar, mesmo com jogador grosso, cai melhor pro Grêmio.

O Palmeiras, não. Lembra logo a Academia, time que encantou o país nos anos 1960. E teve a fase Ademir da Guia. A fábrica de botões estrela distribuía times com as carinhas dos jogadores pra gente pregar.

O meu era: Leão, Eurico, Alfredo, Luis Pereira e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. Nunca fui palmeirense, mas nunca esquecerei este timaço. Palmeiras x Coritiba será uma ótima decisão. Vamos curtir em alta!

CERTO
Pela Libertadores, (três competições importantes afunilando!), o Boca Juniors dos bosteros vai enfrentar na decisão o Corinthians do bando de loucos. O Boca já tem um monte de títulos de Libertadores e até mundial.

Tá na hora de deixar o Corinthians ser feliz. O Corinthians merece e muito. Quem foi criança nos anos 70, como é o caso da minha geração, há de se lembrar.

Até Jô Soares criou um personagem, o Zé da Galera, cujo bordão era “esse time só me dá alegria...” Foram 23 anos sem título e a torcida só fazia crescer, um amor incondicional, sem esperar nada em troca.

O verdadeiro amor é esse do bando de loucos. Não sou corinthiano, mas tenho amigos corinthianos e o Corinthians nos ensinou, na prática, o que é mesmo o amor.

O torcedor do Vitória também tem muito esta pegada do amor acima de tudo. Assim como hoje o Corinthians é cheio de estrela e tá na final da Libertadores, o rubro-negro baiano tem a intuição e a certeza que tudo dará certo um dia.



21 de Junho de 2012

Os são-paulinos espalhados por este Brasil, como meu super-amigo Jotapê, o Xis, podem estar surpresos com a eliminação pelo Coritiba, mas o fato é que o time Coxa Branca já vem merecendo o reconhecimento de todos.

Ano passado, chegou à final da mesma Copa do Brasil contra o Vasco e no meu modo de ver só não foi campeão porque seu goleirão resolveu colaborar com o time carioca.

Agora, soube na festa de São João da quadra do CERPV que o Coritiba meteu 2x0 no todo-poderoso São Paulo e voltou a se garantir numa decisão de título de competição de alcance nacional.Foi o Coxa que eliminou o favorito de sempre Vitória.

O clube campeão brasileiro de 1985, depois de vencer o Bangu nos pênaltis, é sinal verde na decisão do título. Resta ver hoje, se teremos um segundo time verde para sintonizar com a conferência do meio ambiente Rio + 20.

O Palmeiras é este verde, o chamado Verdão dos paulistas, também alcunhado periquito ou o pejorativo Porco, imposto pela torcida rival corinthiana, mas bem assumido, sem complexos, pela torcida de origem italiana.

COTOVELO
Mais ou menos como vem se fazendo a sardinha no cenário esportivo baiano, e não será nenhuma surpresa, se a torcida ofendida passar a utilizar-se do símbolo, como também ocorreu com o Urubu do Flamídia.

Pois o Verdão ou Porco, a depender da angulação, tem a missão de eliminar o Grêmio, clube copeiro e habituado a estes jogos de 180 minutos, um lá outro cá.

Além da Copa do Brasil, vemos chegar à fase final a Taça Libertadores. O Corinthians é um dos finalistas e, quem sabe, teremos uma final bem povão com os bosteros do Boca Juniors diante do time paulista.

O Boca define hoje a sua sorte pra ver se teremos na final a sua fanática torcida que dizem atirar o próprio excremento nos adversários, depois de uma coleta nojenta na arquibancada da Caixa de Bombons (Bombonera).

Falam também muito mal da massa corinthiana, notadamente os adversários, com certeza por causa da dor de cotovelo de não conseguirem amar tanto assim, como dizem, um bando de loucos.

TICO-TICO
Estamos em Lençóis, Chapada Diamantina, e enquanto escrevo estas mal-tecladas, os dois garis, ou agentes de limpeza, para ser corretos, começam a conversar sobre futebol, aqui na porta.

Enquanto varrem a rua, vão trocando ideias. Um se diz são-paulino, decepcionado com o desempenho do tricolor. Outro se diz corinthiano e amanheceu bem feliz com a classificação.
Falam com tanta intimidade e carinho de seus clubes que é como se eles fossem sediados aqui mesmo no Alto da Estrela, ou no máximo, ali no Lavrado, na Baixa da Égua, no Vai Quem Quer, no Tomba Surrão ou quem sabe, na Rua da Baderna.

Também tem futebol quente na Eurocopa, com as quartas-de-final: Grécia x Alemanha vai dar Alemanha; República Cech x Portugal, melhor marcar colunas 1 e 2.

Espanha tico-tico x França tem tudo pra dar Espanha principalmente se o apito amigo entrar em ação, o mesmo para Inglaterra x Itália a favor dos súditos de Elizabeth, acrescentando a grande força do bandeira como no jogo com a Ucrânia.


20 de Junho de 2012

A BOLA ENTROU LÁ-NA-ENGLAND


Por Paulo Leandro
Meteram a mãozona em mais uma seleção pequena. Desta vez, foi a pobre da Ucrânia, dona da casa, que não teve como evitar a eliminação na Euro, ao perder para a Inglaterra por 1x0.
Bandeirinha tem de correr rente à linha pra ajudar o árbitro nestes lances. Se estivesse bem posicionado o auxiliar de linha teria dito que a bola entrou. Porque Terry tirou bem lá de dentro. Veja em http://www.youtube.com/watch?v=d1KUvKNJG2M

Uma antiga narração do locutor-show diria: descontraia, goleirão, vai tirar de dentro... tudo bem que com a televisão congelando a imagem é tudo mais fácil, mas para isso é que o juizão e o bandeirão tornam-se especializados.

É a capacidade de decidir certo um lance em centésimos de segundo que os torna especialmente escalados para uma competição de grande porte. Mas, novamente citando Godoy: na dúvida, ficamos com o mais forte.
E o mais forte, sem dúvida, é a Inglaterra. Convoque-se uma guerra e o poderio da turma da Rainha esmagaria a Ucrânia, um país que até outro dia nem era país, era uma das repúblicas soviéticas na URSS ou CCCP.

GRACINHA
Foi jogando pela CCCP que o treinador deles, Blokin, notabilizou-se como super-atacante caindo pela direita. Não deu. E olha que até dona Hilda, recuperando-se de operação de catarata, ficou surpresa.
Sim, dona Hilda, de óculos escuro e tudo, viu o gol legal da Ucrânia. A Suécia meteu 2x0 na França com um golaço de Ibra, o primeiro da vitória nórdica. Mas a vitória dos súditos de Elizabeth salvou a França.
Até pensei: como não tem ninguém besta e a Guerra dos 100 anos deixou seus vestígios, é capaz de a England abrir agora pra Ucrânia empatar e eliminar a França. Ninguém deve ter soprado do banco de reservas.

Agora, chegamos às quartas e passou muita seleção pesada. Jogos difíceis para se editar os melhores momentos. As três seleções que podiam fazer uma gracinha caíram fora. Rússia, que tava jogando tão certinho, Ucrânia e Croácia.

Bem, pra não dizer que não falei de flores (sempre grato Vandré, desculpa o Brasil!), tem Grécia, com sua ousadia, e a República Cech, do melhor goleiro do mundo, que passaram no Grupo 1.

FRAUDE
No Grupo 2... é aquele da morte. Parêntese: não sei por que, nós, midiáticos, chamamos de grupo da morte quando há mais emoção. Não seria o contrário, o grupo da vida, focando na intensidade deste contexto tão competitivo?

Pois, reangulando, no grupo da vida, passaram Alemanha em primeiro lugar, e Portugal de Cristiano Ronaldo como vice. Então, vão cruzar Alemanha x Grécia, me corrijam se estiver errado, e República Cech x Portugal.
Vão passar Alemanha e Portugal. Gostaria que a Grécia eliminasse a Alemanha por ser fã de Sócrates e toda aquela rapaziada da origem da filosofia ocidental.

Portugal e tcheca eu tou meio dividido. Aquele fraude do Cristiano Ronaldo parece que tá fazendo uma gracinha, mas acho os tchecos bem disciplinados taticamente e se recuperaram bem da derrota inicial de 4x1 para a Rússia.

Nos outros cruzamentos, só tem seleção feia, manjada, que nós, midiáticos, no afã de cativar audiência, ficamos louvando, mas como consegui escapar do sistema de recompensas e punições dominante, tenho cá minhas dúvidas.

SELVA
Dizem que Gerrard é um grande meia da Inglaterra, não vejo nada disso. Agora, aquele Rooney da carona quadrada mete medo mesmo. Bem, eu sou Itália contra a Inglaterra porque tenho mais amigos italianos que ingleses.

O outro confronto horrível é França x Espanha. Não vi o América dos anos 50 jogar, porque nasci em meia-quatro, mas pelo que leio e releio nas crônicas de meu querido Nelson, a Espanha joga mais ou menos o tico-tico do América.

Muita posse de bola, tudo no meio-campo, o tal de volume de jogo, chato pacaraca, sem objetividade, e a gente tem que aguentar, eles, os midiáticos (agora me posicionando de fora do campo) dizerem que Iniesta é craque.
Como diria meu irmão tricolor Flávio Novaes, mi-ajudi! Morri de rir quando outro irmão tricolor, meu caro Paulo Simões, escreveu bem assim numa crônica do antigo A Tarde Esporte Clube (ATEC) tabloide.

Esta crônica é dedicada aos companheiros que editam os melhores momentos destes jogos duros de se ver da Euro. E que seguem a lógica mundial oscargodoyana: na dúvida, o mais forte prevalece. É uma selva o futebol!


19 de Junho de 2012  

Dois países e duas medidas

Neto tava retado ontem, na transmissão da Band, acusando as arbitragens de beneficiarem sempre a Seleção da Espanha, o Barcelona e o Real Madrid em todos os jogos.
O homem do erre de caipira paulista, sotaque um pouquinho enjoado, viu pênalti a favor da Croácia e observou que teve muita falta a favor da Espanha e quando os croatas apanhavam, juizão aliviava.
Polêmica com o referee passou a ser constante no futebol desde que as boas maneiras do desporto começaram a ser substituídas por outros “valores”. A vaia ao árbitro, na entrada em campo de sua senhoria passou a ser norma.
Concordo com Neto que há muita proteção aos espanhóis e que o item arbitragem é fundamental na construção do que poderíamos chamar de hegemonia, tomando aqui emprestado em metáfora o conceito original.
Poderíamos até tomar como outro estudo de caso o nosso Bahia, que foi definitivamente beneficiado com um gol completamente irregular na vitória sobre o Sport, tão necessária para tirar o campeão baiano da zona.
RITMO
Não se pode levianamente afirmar que o fato de termos um alto dirigente tricolor na CBF pode influenciar positivamente para o Bahia. E nem devemos descartar totalmente nenhuma possibilidade de entender o fenômeno.
No caso da Espanha, o peso de dois países e suas tradições bem que pode influenciar nas decisões do árbitro. Dois países e duas medidas. Na dúvida, disse certa vez Oscar Roberto de Godoy, o árbitro fica com o time grande.
A Croácia criou chances mais agudas de gol e somente pela incompetência de seu atacante de nome muito complicado, não chegou a abrir o marcador. Cruzamento de três dedos do croata que caiu pela ponta veio na medida para a metida e o cara não fez.
Um parêntese para elogiar dois companheiros de trabalho na produção mass-mediatizada. Um é o narrador. Se o brasileiro médio tem dificuldade de aplicar crases, imagina quando tem um acento pra lá e outro pra cá em cima de uma consoante. Como é que se diz o nome dos croatas?
Que alívio, quando Eduardo entrou em campo. Eduardo é brasileiro e foi para a Croácia aos 16 anos. Virou croata mas manteve o nome original de sua terra. Jogou nada. Entrou no finalzinho e não encontrou seu ritmo de jogo.
MARGINAL
Outro colega que eu gostaria de elogiar aqui no meu kitnet virtual é o cidadão autor da edição dos melhores momentos. Tirar cinco lances que prestem em cada tempo de Espanha 1x0 Croácia é uma tarefa e tanto.
Por isso, desconfio que nós, midiáticos, vendemos muito gato por lebre, com o perdão do clichê que tanto perseguia quando ainda trabalhava em jornal impresso. Tem muito baba por aí mais divertido que jogo de Eurocopa e Série A.
Nós, midiáticos, na sociedade contemporânea, temos o poder de Midas, transformando em ouro tudo que comentamos positivamente. Mas ao cumprir esta missão promocional, estamos sendo justos com as pessoas que nos ouvem, vêem, lêem e acreditam na gente?
Isso vale para todas as áreas, não só para o esporte. Daí a importância da formação do profissional. No entanto, por mais senso crítico que a gente incentive no futuro jornalista, o mercado, ao receber este formando, impõe seu sistema de recompensas e punições para ajustar o profissional.
O produtor de conteúdo massivo que não se ajusta ao sistema, pode parecer marginal, louco ou fora de sintonia. Por isso, o rio só corre mesmo para o mar de Espanha (terceiro clichê do texto). A Espanha é preferível à Croácia, e o Bahia, em casa, ao Sport. Quanto aos valores do desporto...


18 de Junho de 2012 

Bahia vence o Sport. Estava escrito...

Quem leu meu texto mais recente, antes desse, vai curtir lá nos últimos parágrafos a minha certeza e fé na vitória do Bahia, no maior clássico do Nordeste, realizado contra o Sportti ontem em Pituaço.
Escrevo Sportti assim para sinalizar o tê falado na ponta da língua como é o sotaque original dos irmãos pernambucanos. Meu amigo Edmar Mello, um dos melhores profissionais de foto com quem trabalhei, vai entender.
Pois bem, amigos, quem acompanha futebol há quatro décadas, desde a infância, e labuta diariamente com produção de conteúdo esportivo para massa (mass-media), pega algumas premonições que são certeiras. (Outras, nem tanto... errei feio na Rússia!)
Bahia x Sport em Pituaço. Óbvio que só podia dar Bahia. Eu tou curtindo agora aqui a vibração do meu primo Dalmo Lemos, no facebook. Mesmo saindo tardão do meu querido jornal Correio, ele passou muita felicidade nas palavras.
Sim, o Bahia, enfim, ganhou uma, meu caro! E há de ganhar outras para alcançar a primeira dobra da classificação, uma façanha que o grande campeão baiano persegue desde o ano passado.
DANADO
A primeira dobra é ali aquela parte da tabela dos 10 primeiros, aqueles que podem desejar uma vaguinha na Libertadores. Será uma honra para o desporto do Nordeste, em plena seca terrível, ter um representante por ali.
E foi uma vitória daquelas, de teste para cardíaco. Pra que fazer esteira e botar aqueles grampinhos com cola no peito se a pessoa pode passar por uma partida assim tão emocionante? Se chegamos até o fim é porque tá tudo bem.
Coração tricolor está aprovado. Depois de sair na frente do marcador, permitir aquele empate foi realmente algo muito decepcionante. O 3 deles aparece livre para concluir. O que vocês acharam? Comentem no fêice porque aqui é mais difícil.
Quando o zagueiro adversário sobe, de quem é a obrigação de acompanhá-lo? É do center-forward, o antigo 9? Ou os próprios companheiros de meiúca e de zaga é que devem fazer esta missão?
Taí um assunto para Falcão pensar e resolver com seus comandados para que o Bahia não tome mais gol assim porque deu um susto danado na galera de ouro. Pessoal que curte roer unha não sei como ficou a cabeça dos dedinhos ao final dos acréscimos.
ESTRELAS
O Bahia amanhece em décimo-primeiro, todo feliz com a primeira vitória e eu também fiquei porque meus amigos tricolores estão felizes e eu acertei em cheio minha previsão.
Vou até repetir aqui pra tirar um pouco de onda que PL também é filho de Deus:
É dia de a torcida tricolor fazer a festa da primeira vitória na Série A este ano. O Sport é super-mega-freguês do Bahia, que ao subir em 2010, curtiu duas vitórias, em Salvador e no Recife para cortar a juba do leão.

Uma coisa que meu amigo Roberto Perazzo Filho, meu primo Dalmo Lemos, meu contemporâneo da Escola de Biblioteconomia e Comunicação, Kleber Leal, curtem em alta é cortar juba de leão. Pois domingo é dia. Não tenho dúvidas que o nosso único time da Primeira Divisão vai se sair muito bem...

E já está na hora! Este é o principal confronto entre clubes da Região Nordeste pois são os dois que representam os estados mais fortes. O Bahia tem duas estrelas, o Sport já papou uma Copa do Brasil, um Brasileiro (o Flamídia que esperneie) e ainda tem mais uma de Série B, uma de bronze ou prata se não me engano”.

 




06 de Junho de 2012

Vitória 2x2 América-RN: Estava Escrito.

Quem se der ao trabalho ou tiver a curiosidade de reler o que postei ontem, na expectativa de Vitória x América de Natal, vai ter de necessariamente reconhecer que tava mesmo escrito que o Nego ia ter muita dificuldade.

O Vitória tem algum esquema? Pra botar o time pra jogar assim precisa ter três treinadores? Sim, três. Tem Carpeggiani, na moral, lá em cima, na cabine envidraçada. Tem Ricardo, que é quem fica embaixo. E, agora, ainda tem o filho de Carpé, que também dá seus pitacos.

Preferia que deixasse só Ricardo pra sempre e trouxesse um goleiro que prestasse ou um zagueiro melhorzinho que nosso 4. Um lateral-direito também caía bem. Enfim, reforçaê, diretoria, senão vai ser aquele sofrimento e não vai subir não.

Douglas saiu estranhamente no primeiro gol do América. Pareceu gol de baba de praia, de golzinho fechado. O cara do América recebeu livre (cadê a marcação?) e quando viu o goleiro abandonar a meta sem necessidade, tocou entre os dois cocos, rasteiro pra não ter dúvida.

Gabriel entrou dodói do intestino. Jogou nada. E que desmoralização para um lateral-direito de ofício, Leo ficou no banco o primeiro tempo! O treinador preferiu improvisar um zagueiro doente. Mas até que Leo, quando entrou, foi bem, acima da média que ele apresenta.
PERFIL
Victor Ramos e Rodrigo é aquela dupla de zaga que pode dar certo ou não. Aí, entra a polêmica do esquema, do jeito de jogar. O Vitória é um time ofensivo? Ou aberto demais? Tem diferença? Quando é atacado, os jogadores têm posicionamento para se defender?

Distribuir camisa é fácil. Ainda mais se são três professores. O lateral-esquerdo Mansur voltou a fazer boas jogadas. Meu filho já havia me alertado que ele foi bem contra o Ipatinga. Talvez, com sequência de jogos, Mansur se firme na posição.

Michel ontem não foi tão ótimo como tem sido, mas a torcida o aplaudiu após levar cartão vermelho, por impedir o terceiro gol americano, agarrando o atacante que partia endiabrado, tete a tete com Douglas.
Eduardo Ramos não guentou os dois tempos e foi substituído por Dinei. Este sempre que entra dá seu recado. Marcou o gol de empate e prendeu um ou dois americanos por lá, pois o adversário sentiu que ele leva perigo.

Tartá fez umas boas jogadas ali pela esquerda, mas assim como no jogo contra o Ipatinga, ficou a sensação que ele pode render mais. Como ele não tem perfil de voltar pra marcar, sua presença torna o Vitória mais ofensivo. Ficaram ele, Marquinhos, Neto e Dinei de ataque.

DURO
No segundo tempo, em alguns momentos, o Vitória reeditou o antigo 4-2-4. Marquinhos fez boas jogadas, mas bem que podia fazer como os antigos bons chutadores, que ficavam depois do treino, até escurecer, treinando a pontaria.

Neto Baiano é o caráter do Vitória. Ele dá o tom do time. E ao bater no peito e mostrar o escudo, reativa toda a raça e toda a glória do ser Vitória. Conquistou muita gente que desconfiava de seu jeito doidão, batalhando pela bola como pela vida.

Foi premiado com mais um golaço. Desta vez de falta. E batendo colocado. Mais um traço de sua superação. O pontinho que o Vitória ganhou ontem foi por causa deste golaço. E foi importante porque segurou o América, concorrente direto no G-4.

A torcida gostaria muito de curtir o feriadão tirando onda de G-4. Não deu. E nem vai dar se a diretoria não se mexer e trouxer um bom goleiro, um bom lateral-direito, um bom zagueiro pra jogar com Victor Ramos. A defesa é fraca e o esquema não existe.

O Vitória podia aprender com o América. O campeão potiguar trabalha. Treina. O segundo gol, como bem observou meu amigo Jorge Alan, na transmissão do SporTV, é resultado de treino. O time não é nenhuma maravilha, mas a gente nota que trabalha, tem esquema e joga duro.

 




05 de Junho de 2012

Vitória x América de Natal: Barradão, hoje, 9 da noite

Números costumam mentir muito, principalmente em se tratando desta invenção tão humana, demasiado humana (valeu Fried!) chamada futebol. Mas não dá também para evitar totalmente a leitura das tendências por meio das quantidades.
A boa pontuação do América de Natal, que reconquistou o título potiguar este ano, recomenda aos leões colocar a juba de molho e, mais, indica aos torcedores mais nervosinhos que tomem seus chás e comprimidos antes de se deslocar para o Estádio Manoel Barradas.
O time vermelho do Rio Grande do Norte habita a cobiçada casa dos mais bem pontuados da Série B e voltaria hoje à primeira divisão se o campeonato terminasse agora. Está preparado para dar testa ao Nego aqui em Salvador.
O Vitória tem muitos buracos em sua defesa e por ali poderá penetrar o ataque visitante, daí a importância de muita atenção dos nossos marcadores, tanto no miolo da zaga, quanto nas laterais e, principalmente, os homens chamados de contenção.
O representante baiano na Série B joga aberto, em nome do bom futebol, e esta tática pra frentex custa mais suor dos homens de defesa. A proteção da cidadela rubro-negra não tem uma fortaleza como se vê naqueles filmes épicos da Idade Média.
ESPERTO
Muitas vezes, não se tem sequer homem na sobra, fica tudo no mano a mano, e aí sobressaem as falhas da defesa. Se o zagueirão já não é essas coisas, uma no cravo, outra na ferradura, o trabalho do arqueiro aumenta e o risco de ser vazado, idem.
Portanto, senhor torcedor, vista sua camisa 12 e entre em campo com o time. Se for pra vaiar, melhor ficar em casa, porque atrapalha muito o desempenho de uma equipe saber que não é amado em sua própria residência.
Jogador costuma ser um tipo sensível. Expõe seu trabalho para milhares de apaixonados, diretamente, e chega a expor para milhões, por causa das redes sociais, canais fechado e aberto de tevê e outras mídias.
Muitas vezes não tem esta inteligência emocional toda, nem adquiriu conhecimentos suficientes para se defender com a linguagem. Daí porque, apesar de todo o esforço da indústria da bola para gerar ídolos, ainda são poucos os que se dão bem na entrevista.
Até bem pouco tempo, eram considerados quase portadores de síndromes que reduziam sua capacidade de cognição. Dizia-se, até bem pouco, que jogador dizia a mesma coisa sempre e não valia nem a pena entrevistar, um repórter esperto podia até inventar-lhe as aspas.
MEMORIAL
Num passe de mágica tudo mudou porque o marketing se abraçou com a publicidade, escravizou o jornalismo e descobriu que quando o jogador fala, aparecem os quadradinhos com as logomarquinhas das empresas atrás.
Este discurso do jogador gera visibilidade para as logomarquinhas que, por sua vez, geram recursos para todos na cadeia produtiva. E eis que o jogador virou celebridade máxima e ao final dos jogos, todos vão para a sala da entrevista coletiva ouvir suas aleivosias.
Então, este jogador super-exposto a tantos olhares e corações, críticos e apaixonados, entra em campo certo que seu trabalho só será reconhecido se o do seu adversário for vencido. É mais uma fonte de tensão: o simples jogar bem não garante nada.
É preciso que o placar seja favorável. Marcar mais gols do que sofrer. E é isto que espera a torcida rubro-negra, mais uma vez, hoje. Chegue cedo para visitar o Memorial 13 de Maio. Tem até interatividade.
Meu amigo-irmão e confrade pesquisador Luciano Santos informou que podemos escrever relatos sobre situações poderosas vividas pelo Vitória. O conceito de ‘compartilhado’ da rede social é aplicado ao Memorial.
Chegue mais cedo. Se o jogo é 9, dê um jeito de chegar 8. Larga de ser besta de chegar em cima da hora. Pega trânsito, nunca dá pra ver o jogo desde o começo e depois fica só a sensação de reclamar porque tem muita fila pra entrar no estádio.
Agora, com o memorial, não dá mais pra curtir esta aventura de chegar na hora do jogo começar ou depois do juizão trilar. Vale a pena conhecer a história do clube, tema da minha coluna de hoje no jornal impresso Rugido do Leão, distribuído no estádio.
* Aproveitando para informar que a equipe do Jornalisando estará hoje no Barradão para transmitir minuto a minuto todas as informações de Vitória x América-RN
 

03 de Junho de 2012

O Vitória que eu vi...

Eu vi um goleiro Douglas tranquilo. Não era final de campeonato. E o outro time teve poucas chances. A mais clara delas foi uma cabeçada da pequena área e o atacante deu de ombro. Não deu pra avaliar. Mas eu não queria mais Douglas no Vitória não. Confiei demais em Douglas. Ele não correspondeu. A diretoria podia abrir o cofre e trazer um goleirão que não trema em final. Quem sabe na Argentina, que sempre teve uma boa escola de goleiros. Não confiaria de novo em Douglas pra subir não.

Continuamos sem lateral-direito. Gabriel jogou por lá. Improvisação total. O homem é zagueirão mesmo. E quando o Vitória pegar um adversário que insista pela esquerda? Como é que a diretoria permite começar o campeonato assim capenga? Gostei de Victor Ramos, talvez porque o associe a imagem de Nicole. Deu uma virada de jogo de muita personalidade. E também um chute a gol depois de bater dois pontinhos ali na entrada da área. Achei que foi bem, mas não teve muito trabalho.

O 4 eu não gosto. Achei que a derrota em Curitiba, com aquele gol de pênalti, o segundo do Coxa, foi falha dele que cometeu o foul dentro da área. Ontem, também ele deu um grande mole. Não confio no 4. Rodrigo.

YOGA

O lateral foi Mansur, né? Também continuamos fracos pelas laterais como fomos no Campeonato Baiano. Esse menino Saci saiu, foi? Também não é solução. A diretoria precisa dar a Carpeggiani/Ricardo Silva dois bons laterais e um zagueiro. A defesa é fraca. Não é porque não tomou gol que se vai mentir. E sem querer botar gosto ruim na goleada do Nego, o Ipatinga não mete medo. É apenas um time da segunda divisão estadual de Minas. Mesmo status do Ypiranga, do Juazeirense e outros.

Rodrigo Mancha mostrou preocupação com o posicionamento da zaga. Tivesse um pra gritar assim na final do Estadual e o Vitória não teria deixado Fael e Diones sem marcação para fazer aqueles gols ridículos, muito mais generosidade do Leão que mérito tricolor. Michel saiu aplaudido. Ex-Ceará, esse aí tem jeito de titular de um time que quer subir pra elite. Dá sangue, marca direitinho sem fazer foul, toca bem a bola. Bom jogador esse Michel. A torcida não é besta.

Eduardo Ramos. Outro que verticaliza bem a jogada. Mais que Giovanne, que entrou no jogo. Eduardo pensa melhor para o conjunto e cadencia o jogo. Cadenciar é a respiração do time. Yoga também é futebol.

PARAGUAI

Tartá fez o segundo gol com muita categoria. Pode render mais. A posição é dele. O Vitória é ofensivo. São raros os times hoje que atuam com três atacantes. Este detalhe tático pode estar sobrecarregando a defesa. Pode ser que seja injusto meu comentário dos primeiros parágrafos.

Neto Baiano, sempre polêmico. O cara é artilheiro do Brasil, quer aumento. Por que as vaias? Né possível que já no primeiro jogo do Vitória em casa, tem torcedor que sai do seio de sua esposa e família, e vai pro Barradão vaiar Neto Baiano. Incrível isso!

Marquinhos, tão África. Magrinho, parece desacorrentado há poucos minutos do porto. Brincalhão, sambou na frente dos marcadores e tentou uns chutes a gol. Caíram por cima do ombro dele. Marquinhos não aguenta com contato. Mas a bola gosta dele.
Sempre que Dinei entra no time, dá seu recado. Portanto, se algum time quiser levar Neto Baiano, ou se ele e a diretoria não se entenderem em relação ao aumento, entendo que Dinei pode, sim, muito bem ser seu substituto. Sem vaia, tá?

Parece que o Vitória inovou ontem. Ricardo orientou o time do banco e Carpé ficou em cima. Ouvi na transmissão do SporTv que Carpé pode ir treinar a seleção do Paraguai. Sinceramente, deixa Ricardo pra sempre. O filme vai se repetir.



02 de Junho de 2012


Da pedalada à bicicleta



Nunca mais vi meu querido amigo e professor César Leiro, frequentador, junto a seu pai, dos jogos do Ypiranga, e entusiasta da pesquisa de esportes, como forma de contribuir para a academia entender melhor a relação do desporto com a sociedade.

O esporte massivo, de alto rendimento, não é exatamente a praia do professor, que lidera o Grupo de Mídia, Esporte e Lazer (MEL) da Faculdade de Pedagogia da Universidade Federal da Bahia.
Por isso, ao ver a galera, crianças, jovens, maduros, andando de bicicleta em alta, em Lençóis, na Chapada Diamantina, me veio à mente a lembrança do trabalho dos companheiros pesquisadores do MEL.

É muita saúde que se ganha ali a cada pedalada. Dá pra ver no semblante dos ciclistas toda a felicidade que a posse do guidom ajuda a construir na rotina destas pessoas. Fico até com pena dos planos de saúde particulares, esta mina de ouro.
Mina de ouro esta da qual somos a pedra a ser extraída, uma vergonha que o país aceite a humilhação de ver seus trabalhadores pagando os olhos da cara para ter oportunidade de ser bem cuidado e evitar a rede pública.

BICICLETOCÍDIO

Agora, que fui rebaixado ao SUS (nem cartão fiz ainda), posso sentir mais na pele a baixa estima que rola quando a pessoa deixa de ser atendido na rede privada e passa a viver sob ameaça do atendimento na rede pública.

Pois uma boa pedalada diária pode evitar precisar ficar usando cartão de todo tipo, seja público ou privado. O risco maior, talvez, seja esbarrar em algum obstáculo e precisar de atendimento em ferimentos, mas quem pedala com atenção não dá esses moles.

Fernando Gabeira, quando candidato a presidente em 1989, pelo PV, na primeira eleição depois do fim da mais recente ditadura, tinha como proposta básica para o esporte a instalação de bicicletários pelo país.
Em Lençóis, poderia funcionar bem e evitar a circulação de carros que os letárgicos como este amigo de vocês insistem em utilizar no centro histórico e nos bairros da cidade, poluindo o ar e o som, além de arranhar o visual.

Já em Salvador, é bicicletocídio a pessoa querer se locomover nestas duas rodas da saúde. Para quem está desgostoso, acha que a vida tem sido madrasta tipo a da Cinderela, vale a pena investir na bike pois é morte certa.

DIFERENÇA

Exceto, claro, se a pessoa sai em grupo e instala aquelas luzinhas para sinalizar que ali vai um ser humano andando de báike. Mesmo assim, corre risco. Tem também a orla, ainda no tempo de João Durval governador, eu acho, se não me falha a memória.
As maiores intervenções positivas na orla ainda são daquele tempo, há umas três décadas, e ali dá também pra andar de báike. Tem também nosso parque de Pituaçu, reserva ecológica que permite altos rolés de bicicleta.

Quem curte báike, pode baixar aí na internet o som do mesmo nome, do Pink Floyd, cujo ritmo lembra mesmo a vibração de uma série de pedaladas. E é engraçado que a jogada criativa mais recente do futebol brasileiro leva este nome.

Aqui, no entanto, uma ressalva: pensar o futebol hoje é pensar também que a pedalada é o que há de melhor e mais recente. Muito pouco. Passar o pé sobre a bola em direções contrárias, seguidamente, para enganar o marcador, é pouco.

Imagina quando se inventou a chilena, ou a bicicleta... epa! Eis toda a diferença entre os tempos. Fomos capazes de, um dia, inventar a bicicleta inteira. Hoje, nos contentamos com uma mera pedalada.
Tem jeito não: comecei com esporte de participação, o ciclismo, e terminei com esporte massivo e alto rendimento, o futebol. Desculpa, prof. César.



31 de Maio de 2012

Saudades do scratch!

Um meio seguro de pegar no sono é jogo amistoso de seleção brasileira. Principalmente se for contra os Estados Unidos, vestido parecendo time de futebol americano, bem apropriado para refletir bem a cultura esportiva predominante lá pela América do Norte.

Junte-se à chatice de um jogo que nada vale à narração daquele conhecido amigo e pronto. Nem precisa de chá ou aquele tarja-preta surrupiado do papai enquanto ele toma a sopa, prática já abolida por este escriba saudavelmente recuperado sem aditivos graças a Deus.

É 10, 15 minutos no máximo e o soninho chega em alta, dá até pra sonhar. Talvez se desperte rapidamente com os gritos exagerados de gol, afinal, um jogo insosso que nada vale, não faz ninguém pular de vibração.

O que fizemos com um dos principais símbolos da pátria? Ou tem outro momento mais sublime para os brasileiros reunirem-se e dizerem juntos: Brasil! Nem no nosso Dois de Julho, verdadeira data da independência nacional, conseguimos ser assim brasileiros.

Neste aspecto, o antigo scratch refletia mais as nossas necessidades cívicas. A seleção, com o passar dos anos, foi ficando muito mais o time do Ricardo Teixeira, aquele que faz o narrador chato se esgoelar, como se gritasse por uma substituição que nunca chega.

EFEITO

Bota aquele menino do SporTV, esqueço o nome dele agora, não sei se é Paulo César... Tanto narrador novo, sou mais Thiago Mastroiani com comentário de um que é do Rio, também esqueço agora, que memória é essa, vou anotar quando ele aparecer... ah, sim, Lédio Carmona!

Penso em duas chances para compreender por que o princípio de impermanência não afeta o sujeito antipatizado, mas que ajuda muito a pessoa a pegar no sono, pois a chatice eterna e contínua faz o telespectador se amparar no mito de Orfeu.

Uma delas é espiritual: esse cara deve ter um Exu muito bem assentado, capaz de protegê-lo contra toda e qualquer ameaça. Assim, com os caminhos abertos, ele exerce o dom da comunicação sem ser afetado por si mesmo, seu principal inimigo, nem por meios externos.

Outra possibilidade é entender o Brasil como efeito do capitalismo tardio, conceito construído por Florestan Fernandes. Assim, a habilidade do profissional em ganhar a confiança dos donos da rede onde trabalha torna-se um valor superior à competência que deveria ser exigida.

Voltando ao contraste entre a atual seleção e o antigo scratch, lembro que em mil novecentos e antigamente, a convocação era um momento tão tenso e sublime que as pessoas paravam onde estivessem para comentar por que tal e qual jogador entrou ou não entrou.

LÓGICA

Hoje, tanto faz como tanto fez. Mas, antes, um jogo da seleção era um ritual cívico muito valorizado. Mesmo amistoso fazia todo mundo reverenciar o Onze Canarinho. E, mesmo quem não entende de jogo, assistia e vibrava porque ali estava nossa pátria em chuteiras.

Quem construiu esta expressão foi Nelson Rodrigues, cuja obra é tema de estudo de pós-graduação em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia. Ainda este ano teremos a defesa da tese da amiga Lidia de Teive e Argolo.

Pois bem. Já se foi o tempo da noção da seleção como a pátria em chuteiras. Antes, só se jogava no Maracanã, como se fosse o peji de uma série consagrada de santos do futebol. Uma vez ou outra, a seleção jogava em São Paulo e outra capital.

Quando começou a ter desgaste, passaram a levar a seleção pra jogar até... argh!... no Nordeste. Mas eles arrumaram um jeito de ganhar mais dinheiro, e em euro, e o Brasil passou a ter Londres como sede, atuando no Emirates Stadium como se ali fosse sua casa.

Como tudo na vida, a alma é capturada pela lógica mercantil e o que um dia foi a nossa seleção, o nosso scratch, tornou-se o mais poderoso sonífero. Não me vejo representado por este combinado que só faz bem a empresários e aos provisórios donos do nosso futebol.


30 de Maio de 2012

Vem aí o jornal Rugido do Leão!



Uma das satisfações que tenho nesta vida é ser editado por ex-aluno. Sim, aquele cara que você conheceu ali, aprendendo as primeiras letras do jornalismo, um dia, te edita, sim, você o ex-professor. A história se repete agora com meu querido ex-aluno Matheus 70.
70 é diretor do novo jornal do Vitória, o Rugido do Leão, que será distribuído na entrada do Barradão, antes dos 19 jogos que o Decano vai fazer em Salvador pela Série B. O impresso se propõe informar ao torcedor sobre como estará o Vitória que ele vai ver jogar e ajudar a vencer.
Quero aqui expressar o meu contentamento pelo convite do meu ex-aluno e dizer o quanto é bom quando a gente é reconhecido, como educador, por aqueles que viraram profissionais de comunicação um pouco mirados no nosso exemplo.
70 sempre foi entusiasta das minhas aulas de gêneros jornalísticos e redação em impresso (ou algo parecido) na Faculdade de Tecnologia e Ciências, cujo curso era bem capitaneado por nosso bom amigo Bernardo Cabral, hoje servindo ao jornalismo do Distrito Federal.
Pediu-me, então, o bom 70, que rabiscasse algumas mal tecladas para estrear junto com o jornal, a coluna do Leãodro, chiste de gosto duvidoso que une o animal mascote do clube ao sobrenome herdado de papai.
ANGOLA
Espero, sinceramente, que o jornal possa trazer boa sorte para o Vitória e que o livre do mal de novos fracassos como o verificado em Criciúma. O amigo Kléber Leal adivinhou o placar, ao afirmar que o Vitória não tomava menos de dois. Ô língua!
Vamos ver se no próximo compromisso em casa, o Vitória se reabilita para não ampliar a distancia do bloco da frente do campeonato brasileiro. Agora, então, que vou sair no jornal novo do Vitória, mostrando escudo da camisa e tudo, o nego tem de fazer esta gracinha pra gente.
Antecipando o tema da minha primeira coluna, vou escrever sobre um assunto que me incomoda muito, a excessiva cobrança da torcida, principalmente quando o Vitória embala e começa a atrair muita gente para o Barradão.
O público muda totalmente de perfil. De 5 mil pessoas em média, dispostas a apoiar o time do início ao fim da partida, triplica o número e neste triplicar muda para uma torcida exigente demais que deixa o time nervoso com tanta cobrança.
Quero muito que o Rugido dê certo. Tive a grata satisfação de produzir conteúdo para o Vitória, na revista que fundei com meu amigo hoje radicado em Angola, rubro-negro de escol (não é a cerveja), Humberto Sampaio.
AUDIÊNCIA
A revista chamada Vitória! circulou na gestão de Paulo Carneiro. Tomei conta dela entre 1997, desde o número 1, até 1999. Fechava a edição na rua Arthêmio Valente (nome do fundador), em Brotas. Meu parceiro de planejamento gráfico era Humberto Monteiro, um grande profissional.
Quando a gente trabalha para o clube que torce, é legal porque não precisa fazer aquele esforço para ser imparcial ou ao menos dar o direito de várias vozes se manifestarem em proporções iguais. O Rugido, assim como foi a revista Vitória!, é a oportunidade de poder escrever com o coração.
O pessoal radical às vezes não entende que o profissional pode até servir ao rival. No ano de 1989, por exemplo, coube a mim editar a única revista que circulou em Salvador contando a história do título brasileiro conquistado pelo Bahia.
Se o profissional sabe dosar e se posicionar em cada contexto, vai desenvolver seu trabalho com maestria e sem estresse. Na Bahia, a mentalidade ainda é muito atrasada em relação a grandes centros, onde os profissionais confessam seus clubes e o torcedor entende.
Aqui, percebo um medo danado de colegas com receio de afrontar um segmento numeroso de audiência se eles disserem que torcem por Bahia ou Vitória. Bobagem. Uma coisa é o torcedor, outra é o jornalista, e os bons profissionais sabem diferenciar um do outro.
 
28 de Maio de 2012

A Segundona é mais divertida

O São Paulo de Henriquinho, neto de dona Ilda e herdeiro do finado amigo Ramón, bateu o Bahia por 1x0. Placar magrinho. O campeão baiano ainda não fez um golzinho nesta Série A. Elite é assim mesmo.

Ramon, pai de Henriquinho, era agitadíssimo, e não se submetia ao ordenamento proposto pelo turismo. Ótimo profissional guia, rompeu com as agências e trabalhava por conta própria. Esbagaçou-se sobre uma moto sob uma carreta numa noite má. 

Voltando ao foco esportivo, o Bahia subiu e a torcida sabe que não é fácil se manter lá, sendo um clube de um estado pobre. E o Bahia permaneceu na elite, não entrou numa de ioiô, não foram sete meses pra cair, como cantou a torcida do Vitória. 

Agora, que não se espere boa vida na elite e é por isso que, como distração e entretenimento, prefiro mesmo uma segundonazinha. As chances de se divertir com o delírio do gol são maiores quando se enfrenta times com camisa mais leve. 

Pra levar criança, e formar nela o coração do torcedor, é muito mais fácil vibrar com time que vence. Vejam, mal-comparando, as séries A e B do ano passado. O Vitória não subiu, mas o torcedor rubro-negro curtiu muito mais.

SE SECANDO

O bi-vice-campeão estadual chegou em quinto lugar em uma sensacional arancada que surpreendeu os torcedores mais pessimistas. Deu goleadas, virou jogos difíceis, deu seus moles também, é verdade, mas no cômputo geral, o saldo foi positivo. 

Já o campeão ficou naquela de cai-não-cai, sofrendo para alcançar a praia da Sul-americana. Ao final, se deu melhor que o Vitória. Outro status. Habita a primeira divisão. O rival purga série intermediária contra americanas e guaratinguetás. 

Do ponto de vista racional o Bahia leva vantagem, mas aplicado o princípio do prazer dos hedonistas e curtidores contemporâneos, o torcedor do Vitória pulou mais, se encantou mais com o Nego que o tricolor, silencioso tricolor de tantas derrotas. 

Este ano, tudo se afigura não ser diferente. O Vitória começou vencendo e amanhã visita o Criciúma. Amigo Kléber, contemporâneo da Escola de Biblioteconomia e Comunicação (EBC), safra 1982, previu que o Nego não toma menos de dois. 

Já o Bahia dele perdeu apenas por 1x0, dois a menos que a aposta de Mayre Freitas Limeira. É assim que a banda vai tocar até o final do ano. Todo mundo se secando um ao outro e, quem sabe, o Bahia vai continuar comemorando ficar na elite. 

CRITÉRIOS

Outro ponto a se discutir é até que ponto vale a pena subir pra ficar neste sofrimento. Se não é mais honesto vestir a carapuça de clube menor, Série B, incapaz de disputar o título. 

Entrar na disputa visando uma Sul-americana é tirar muito o torcedor de otário. Neste aspecto, acho que nós, jornalistas esportivos, poderíamos contribuir mais, aplicando princípios de jornalismo e não de publicidade ao conteúdo distribuído. 

Valorizamos demais a paixão do torcedor e as façanhas do suposto ídolo e esquecemos o dom da crítica. Outro dia mesmo, o torcedor foi maltratado em filas imensas pra comprar ingresso, ao sol de meio-dia, mas só ressaltamos a paixão.

Perdemos a noção que aquilo ali era uma reportagem de denúncia de uma péssima prestação de serviço ao cidadão. Assim, também, louvamos os aspectos polianamente positivos das nossas instáveis agremiações e poupamos as críticas. 

Eu poderia contribuir mais contrapondo às qualidades, aspectos da interpretação da realidade que causam alguma inquietação, como os critérios para se contratar um jogador e como se ganha a posição num time de grande torcida.


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